DO DIÁRIO DE CANOAS – ENTREVISTA: RUSSOS PODEM INVESTIR R$ 3,5 BI EM PORTO NO LITORAL NORTE

Russos investirão R$ 3,5 bilhões no porto de Arroio do Sal

Empresa fala que projeto prevê compensação sócio-ambiental

O Diário de Canoas publicou recentemente entrevista sobre a possibilidade de construção de um porto marítimo no litoral norte, mais precisamente em Arroio do Sal. Confira:

A construção do Porto Litoral Norte, em Arroio do Sal, é um bilionário investimento russo e é gerenciada, no Brasil, por uma empresa que nasceu em Santa Catarina, mas que devido às dimensões do negócio, acaba de transferir-se para Porto Alegre. A Doha Investimentos e Participações S.A. tem ampla experiência no setor, já tendo realizado os projetos de implantação dos terminais portuários de Itajaí. Os projetos do novo porto gaúcho são ambiciosos: poderá receber os maiores navios do mundo e também as próximas gerações, que não param de crescer em dimensões e capacidade. O diretor administrativo da empresa, o engenheiro Anderson César Leobino, revela, na entrevista a seguir, detalhes do empreendimento que promete alavancar a economia de Arroio do Sal e muitas outras regiões, gerando 25 mil empregos.

Qual o papel dos russos e o que cabe à Doha?
Leobino – Os estudos já começaram há vários anos. Nosso investimento consistiu na compra dos imóveis, custeio dos estudos e desenvolvimento do projeto até chegar a este ponto. O investimento maior será dos russos de Moscou. Em um primeiro momento serão R$ 3,5 bilhões. Nós investimos, até agora, perto de R$ 50 milhões a R$ 60 milhões. Faremos a administração geral, mas sabemos que uma obra deste tamanho não vai ficar com uma só empresa: haverá várias subcontratadas, trata-se de um consórcio.

Qual é o nome da empresa russa?
Leobino – Ainda não tenho a autorização para falar.

Quando terão início as obras?
Leobino – Já estamos começando as obras do escritório, centro administrativo e centro de treinamento, para iniciar a preparação da mão de obra local. A limpeza da área começa na semana que vem e o pesado, o grosso da obra, em janeiro.

E as contratações de mão de obra?
Leobino – Estamos em uma fase de liberações. Quando saírem as primeiras liberações, começam as contratações. Por isso o centro de treinamento é tão importante, pois queremos usar a mão de obra local. Claro que não existe mão de obra tão qualificada para alguns setores, mas vamos recrutar o máximo possível da região, pois um dos objetivos é o desenvolvimento regional. Nosso setor de recursos humanos já está recebendo esses currículos e, com o tempo, irá chamar esses profissionais.

Qual a expectativa de término?
Leobino – Se tudo correr dentro do normal, se não tivermos nenhum tipo de entrave, em três anos estará concluída.

Será o maior do Estado?
Leobino – Não sei s será o maior, mas com certeza será o mais moderno. Mas talvez seja sim um dos maiores da América Latina. Estamos falando de 1.200 metros de cais e 30 metros de calado, que é a profundidade. Este porto está sendo desenvolvido para um dos maiores navios do mundo, que não entram em Rio Grande, não entram em Itajaí e nem na maior parte dos portos do Brasil. Então, o porto já vem para atender à próxima geração de navios, a expectativa de 50 anos para frente.

Qual o papel da União e do Estado nesse projeto?
Leobino – A União e o Estado têm o papel de liberação e isso está bem adiantado: o governador Eduardo Leite já assinou o termo de investimento, liberando o empreendimento. Seremos um TUP, um Terminal de Uso Privado. Por isso, os governos não entram com recursos. Pelo contrário: nós é que entraremos com compensações ambientais em Arroio do Sal.

Haverá algum impacto ambiental?
Leobino – Todo investimento causa, mas em nosso trabalho temos absoluto cuidado e respeito com o meio ambiente, assim como o projeto terá compensação sócio-ambiental.

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