SEGUNDO DIA DO FÓRUM DE DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA AZUL DEBATEU AS HIDROVIAS E TURISMO

Participaram como palestrantes o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, Eduardo Nery, e o embaixador do Uruguai no Brasil, Guillermo Valles. Foto: Divulgação/Portos RS

A Hidrovia Binacional Brasil – Uruguai foi o tema do primeiro painel do segundo dia de realização do 1º Fórum de Desenvolvimento da Economia Azul, promovido pela Portos RS, em parceria com o Arranjo Produtivo Local (APL) Marítimo e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Rio Grande e São José do Norte. A ligação hidroviária entre os dois países é um antigo desejo que vem sendo conduzido para ser concretizado.

Participaram como palestrantes o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, Eduardo Nery, e o embaixador do Uruguai no Brasil, Guillermo Valles. Como debatedores estiveram o presidente da Portos RS, Cristiano Klinger, o diretor do Terminal Tacuari, Carlos Foderé, e o prefeito municipal, Fábio Branco. A moderação foi do gerente de planejamento e desenvolvimento da Autoridade Portuária, Fernando Estima. Durante sua fala, Nery afirmou que os estudos são fundamentais, mas é importante que sejam promovidos encontros que mostrem para a população os impactos positivos para a economia com a efetivação da hidrovia. O prefeito de Rio Grande, Fábio Branco, lembrou dos entraves ainda trazidos pela legislação, mas celebrou o fato da conjugação de esforços estarem indo por um caminho que há muito tempo é sonhado por todos.

O embaixador do Uruguai no Brasil, Guillermo Valles, disse que o Fórum possui uma proposta muito oportuna. Segundo ele, a iniciativa de falar sobre Economia Azul recupera uma estratégia internacional muito importante que permite um planejamento sustentável de utilização dos recursos hídricos para proporcionar desenvolvimento. Com os avanços promovidos pela discussão da hidrovia, ele acredita que o sonho dos dois países está muito perto de ser realizado.

A programação da manhã foi encerrada com a realização do painel O Futuro das Hidrovias Gaúchas, que teve como palestrantes o diretor-geral da Antaq, Eduardo Nery, o gerente de planejamento e desenvolvimento da Portos RS, Fernando Estima, e o gerente de logística da CMPC, Roberto Hallal. O desenvolvimento das hidrovias foi um dos temas que Nery apontou como prioritários durante a fala de abertura do Fórum, ontem (3). Participaram como debatedores o coordenador do grupo de trabalho do Coinfra Fiergs, Sérgio Klein, o representante do grupo Hidrovias RS, Willen Mantelli, o diretor-presidente do APL Marítimo, Arthur Rocha Baptista e o diretor comercial do Tecon Rio Grande, Rodrigo Velho. A moderação foi do presidente do conselho do APL Marítimo e vice-presidente de infraestrutura da Federasul, Antônio Carlos Bacchieri Duarte.  O diretor-geral da Antaq, Eduardo Nery, destacou que a hidrovia navegável é sempre uma alternativa logística importante e é preciso aproveitar o que a natureza oferece para gerar desenvolvimento. A hidrovia também permite a retirada de caminhões do modal rodoviário e possui um potencial enorme de atração de cargas.

O gerente de planejamento e desenvolvimento da Portos RS, Fernando Estima, contextualizou o tema hidrovias no Rio Grande do Sul e apresentou as áreas em que o estado tem como responsabilidade. Segundo ele, precisamos entender de qual hidrovia estamos falando, seja ela de passageiros, de cargas, de turismo, de mineração ou de pesca. Nesse momento, o presidente da Portos RS, Cristiano Klinger, também passou a integrar a equipe de debatedores. Durante a apresentação, Estima destacou que nove milhões de toneladas foram movimentadas apenas pela hidrovia em 2021, ano em que os portos do Rio Grande do Sul atingiram recordes de movimentação. Ele também aproveitou para falar sobre os investimentos permanentes de manutenção das hidrovias, que passam pelo projeto, realização de batimetria, obtenção de licenciamentos ambientais, homologação das cartas náuticas e sistema de monitoramento do tráfego. Já o gerente de logística da CMPC, Roberto Hallal, falou sobre o desenvolvimento da empresa que é a principal beneficiadora de celulose. Pela linha do tempo foi possível traçar a evolução produtiva que passou em 2014 de 450 mil toneladas ao ano para 1,5 milhões de toneladas ao ano, fruto das obras de ampliação realizadas na unidade fabril. A CMPC também foi responsável pela realização de diversos investimentos em Pelotas, local onde mantém um depósito de toras de madeira que são encaminhadas à Guaíba por meio da hidrovia.

O diretor comercial do Tecon Rio Grande, Rodrigo Velho, também apresentou o case da unidade Santa Clara do Grupo Wilson Sons que também realiza a movimentação de contêineres vindos das regiões norte e serra gaúchas. O tráfego das embarcações que fazem o transporte desses contêineres para embarque em navios atracados em Rio Grande é outro exemplo de utilização da hidrovia.

O painel Turismo, Lazer e Esportes Náuticos, com a participação do velejador brasileiro, campeão mundial e medalhista olímpico, Lars Grael. Foto: Divulgação/Portos RS

No período da tarde, a partir das 14h, aconteceu o painel Turismo, Lazer e Esportes Náuticos, com a participação do velejador brasileiro, campeão mundial e medalhista olímpico, Lars Grael. Durante a palestra motivacional, Lars falou da satisfação em retornar a Rio Grande e contou um pouco sobre sua história de vida, iniciação na vela e sua relação até os dias atuais com os esportes náuticos. Durante sua fala, o coordenador do mestrado e doutorado profissional em Gestão de Negócios, Marcelo Fonseca, destacou que a região possui um patrimônio histórico muito rico, conta com atividades produtivas importantes, um cenário cultural fantástico e riquezas naturais que fazem com que a zona sul seja única. Nas riquezas naturais estão inseridas as águas que permitem a atração do turismo, além das atividades econômicas já conhecidas e que estão em desenvolvimento. Em relação aos municípios da região, foi realizada uma análise da infraestrutura e dos atrativos e no mapa da zona sul foram publicadas as performances das cidades em cada um dos quesitos. Como conclusão, chegou-se ao entendimento do evidente potencial a partir dos atrativos turísticos identificados e que a região tem potencial e características para receber um bom volume de turismo.

Na sequência, o velejador brasileiro e árbitro internacional de vela, Nelson Ilha, falou sobre o turismo náutico. Segundo ele, é necessário uma melhoria no entorno costeiro para a atração dos turistas, além de apostar no turismo ecológico, eventos e regatas. Ilha trouxe como exemplo o caso do Uruguai que investiu na infraestrutura de nove portos que hoje são considerados referencia para o turismo náutico. Como alternativas para promover esse tipo de atividade, Nelson citou a pesca amadora, o aluguel de embarcações, o kitesurfe, o carro à vela, mergulho contemplativo, passeios de hidroavião e escola de vela. Uma outra possibilidade é a transformação da inacessibilidade de determinados lugares em atração turística, com a disponibilização de meios que promovam a interatividade do turista com o local.

O último painel do dia foi com O Case da Noruega Sobre a Economia Azul, com o embaixador Odd Magne Ruud. Ele comentou com os participantes do Fórum sobre as atividades desenvolvidas pelo país para a produção de energias renováveis e apresentou a embarcação MF Hydra, a primeira balsa movida totalmente a hidrogênio.

Magne Ruud também trouxe informações sobre o Painel de Alto Nível Para a Economia Sustentável do Mar que com os países que o integram já consegue compreender cerca de 50% da área litorânea mundial. O embaixador lembrou que o Brasil já recebeu o convite para fazer parte também do Painel.

As atividades desta quarta-feira (5), último dia de realização do Fórum, acontecem a partir das 08h30, com o painel O Futuro da Construção Naval no Rio Grande do Sul.

Texto: Rodrigo de Aguiar

Jornalista responsável: Larissa Carvalho

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