ESPECIAL DE DOMINGO: “APAGÃO FLORESTAL” PREOCUPA A INDÚSTRIA GAÚCHA

    Restrições impostas ao plantio por órgãos da área ambiental e excesso de burocracia ameaçam um dos mais importantes setores industriais no Estado. O assunto foi tema de debate na semana que passou, no Encontro da Cadeia Produtiva de Base Florestal, promovido pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), por meio do Comitê da Indústria de Base Florestal e Moveleira. “Este evento discute uma política de desenvolvimento para essa importante atividade econômica integrada. O segmento florestal gaúcho, apesar das vantagens naturais, vem decrescendo nos últimos 10 anos”, alertou o presidente da FIERGS, Gilberto Porcello Petry, ao ressaltar que a situação traz riscos de um “apagão florestal” e de enormes prejuízos às indústrias de móveis, papel e celulose, além de serrarias, marcenarias e olarias, entre outras.

    Petry lembrou que, em dezembro do ano passado, o Serviço Geológico da Nasa, a Agência Espacial americana, publicou um levantamento  que demonstra que o Brasil protege e preserva a vegetação nativa em mais de 66% do seu território, e que cultiva apenas 7,6% das terras. Em contrapartida, a Dinamarca planta 76%; a Irlanda, 74%; os Países Baixos, 66%; o Reino Unido 64%, e a Alemanha, 57%. No RS, a cadeia gera aproximadamente 320 mil empregos diretos e indiretos, sendo responsável por 5,1% do PIB do Estado, “o que justifica uma política de incentivo aos segmentos envolvidos”, destacou. Dos cerca de 1,28 milhão de hectares de florestas no Rio Grande do Sul, 58,3% correspondem ao setor de base florestal, enquanto 41,7% fazem parte das unidades de conservação.

    Os dados coletados durante o Encontro da Cadeia Produtiva de Base Florestal servirão de base para a elaboração de um documento, que será encaminhado aos candidatos a deputado e ao governo do Rio Grande do Sul. “Nosso objetivo é que se crie uma consciência da necessidade de retirar os entraves para o desenvolvimento deste setor industrial no Estado. Já faz dez anos que estamos na luta para estabelecer um projeto de floresta-indústria, mas estamos decrescendo em vez de crescer”, informou o coordenador do Comitê da Indústria de Base Florestal e Moveleira da FIERGS, Walter Rudi Christmann.

    A palestra principal foi proferida pela presidente executiva da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Elizabeth de Carvalhaes, sobre O Setor de Base Florestal no Brasil e no Mundo. Segundo dados da Ibá, em 2016 o Brasil destinava 34% da sua área plantada à celulose e papel, 29% a produtores independentes, 14% à siderurgia e carvão mineral e 6% para painéis de madeira e pisos laminados.

    Além das vantagens para a indústria, Elizabeth enumerou também os benefícios para o País e ao meio ambiente caso a área das florestas plantadas no Brasil seja ampliada. Atualmente, 7,8 milhões de hectares de árvores cultivadas retiram da atmosfera e estocam 1,7 bilhão de toneladas de dióxido de carbono, equivalente a um ano das emissões brasileiras. “Esse carbono, monetizado, vai permitir que o Brasil possa, com o saldo positivo absorvido nessas florestas ceder, via comércio, para outras regiões do mundo que não tem condições de fazer essa melhoria climática”, afirmou. Ela citou o caso da Alemanha, um país essencialmente industrial, mas com pouca área disponível para plantio de novas florestas. Desta forma, o Brasil, com excedentes florestais, poderia “vender” seus créditos de carbono, em um mercado criado com o objetivo de reduzir os gases do efeito estufa, atribuindo um valor monetário à sua redução. “O crédito de carbono vai ser a mais importante commoditie em um futuro muito próximo”, afirmou.

    O vice-presidente da STCP – Consultoria de Projetos Ltda., Joésio Pierin Siqueira abordou o Setor de Base Florestal na Região Sul do Brasil – Perspectivas Econômicas, Sociais e Ambientais. “Não é possível que o Rio Grande do Sul continue restringindo o plantio, com apenas 1% de seu território ocupado”, disse. Walter Lídio Nunes, da CMPC Celulose; e o presidente da Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor), Diogo Leuck; também realizaram apresentações no evento. Nunes afirmou que as inúmeras exigências dificultam a instalação e acabam por afastar investidores estrangeiros do Estado.




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