RETROSPECTIVA / COMÉRCIO: INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMÍLIAS AUMENTA 9,3% EM DEZEMBRO NO RS

    Pesquisa da Fecomércio-RS mostra que mercado de trabalho segue pressionando indicador

    A intenção de consumo das famílias gaúchas em dezembro apresentou elevação de 9,3% na comparação ao mesmo mês de 2016, com 70,9 pontos – o que representa um recuo de -5,2% sobre novembro/17. Os únicos componentes da pesquisa que apresentaram variação negativa foram a avaliação quanto ao emprego atual e o da perspectiva de consumo, impactados pelo lento processo de recuperação do mercado de trabalho. “Esse cenário acaba afetando diretamente a intenção de consumo das famílias. No entanto, a perspectiva de crescimento da economia em 2018 deve refletir no aumento do emprego, contribuir para o aumento da confiança e, consequentemente, do consumo”, afirma o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn. A entidade divulgou nesta sexta-feira (12) os dados da pesquisa Intenção de Consumo das Famílias (ICF).

    Após 11 meses em nível otimista, o indicador que mede a segurança com relação à situação do emprego voltou ao patamar pessimista, com 91,9 pontos em dezembro e recuo de 11,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. Ainda que a geração de empregos tenha se recuperado ao longo do ano de 2017, o saldo de vagas geradas deverá ser negativo. Soma-se a isso, a possibilidade de desligamento dos que foram contratados em regime temporário. Ainda no âmbito do mercado de trabalho, o componente sobre a situação de renda atual cresceu 22,9% sobre dezembro/2016, alcançando 74,1 pontos. Em relação ao mês anterior – novembro/2017 – houve queda de 4,0%, fato que pode ser explicado pelos sucessivos aumentos de preços dos combustíveis e da energia elétrica.

    O indicador referente ao nível de consumo atual marcou 47,2 pontos em dezembro, alta de 4,4% sobre o mesmo mês do ano passado e recuo de 14,0% sobre novembro/2017. Segundo a pesquisa, ainda que o nível da inflação colabore para que a situação de consumo esteja melhor frente a dezembro/2016, o mercado de trabalho é o maior obstáculo para a ampliação do nível de consumo das famílias. O índice que mede a facilidade de acesso ao crédito cresceu 28,8% no confronto com o mesmo período do ano passado e recuo de 2,2% sobre novembro/2017. Aos 74,7 pontos, o indicador sugere que mesmo após a queda da taxa básica de juros, a Selic, as instituições financeiras continuam com certa cautela na concessão de crédito. Em relação ao momento para o consumo de bens duráveis, o ICF apurou uma elevação de 96,2% sobre dezembro/2016, alcançando 71,6 pontos. Após um longo período em patamares extremos de pessimismo, o indicador retoma o fôlego puxado pelo início do processo de recuperação econômica nos indicadores de renda e acesso ao crédito.

    O indicador de perspectiva profissional cresceu 20,1% em dezembro sobre o mesmo mês de 2016, alcançando 86,3 pontos. Nas perspectivas de consumo houve uma retração significativa na comparação com dezembro/2016, de -35,7%. Aos 50,4 pontos, o componente apresentou um resultado surpreendente, já que não houve nenhum elemento novo no cenário atual para justificar uma perda tão significativa.




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