COLUNA CAMINHOS DA ZONA SUL – DIÁRIO DA MANHÃ – 03.10.2017

    CAMINHOS DA ZONA SUL

    www.caminhosdazonasul.com____________________Paulo Gastal Neto

    Atraso – O IBAMA, mais uma vez, se tornará responsável por promover o atraso regional. Desta feita será contra o mais importante porto do sul do país, o do Rio Grande. Após exaustivos meses para apresentar o projeto de dragagem do canal de acesso e o referido licenciamento ambiental, a obra orçada em mais de R$ 300 milhões de reais e de necessidade urgente, para que se mantenha a mínima capacidade de competitividade, está comprometida. O órgão federal resolveu trocar de opinião, alegando (sic…) questões técnicas e notificou que o local de descarte dos detritos não poderá ser mais o mesmo e um novo projeto deverá ser indicado. Isso significa pelo menos mais dois anos de trabalho e projeções o que tornará a competitividade diminuída, sobretudo perdendo para os portos de Santa Catarina e Paraná. A notícia deixou o Palácio Piratini indignado e até mesmo o governador do RS entrou em campo em defesa da manutenção não só do projeto como deixar claro que o porto riograndino é de suma importância para a economia do Rio Grande do Sul. Sartori foi ao IBAMA em Brasília e teria, inclusive, sido destratado. Na última quinta-feira conversei com o prefeito Alexandre Lindenmeyer que se mostrou também indignado, durante entrevista concedida a Rádio Universidade e a esta coluna que levanta o assunto com exclusividade.

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    Alta sob ataque – Na contramão do IBAMA a Superintendência do Porto do Rio Grande analisou sua estrutura financeira em oito meses deste ano. Os três principais terminais: Pelotas, Porto Alegre e Rio Grande tiveram aumento de receita nesse período. O fato é digno de comemoração, não fosse a notícia proporcionada pelo órgão ambiental federal. O complexo de Rio Grande foi o que mais teve aumento de receita, com 13,14%. Até o momento, o Porto do Rio Grande arrecadou R$ 86,6 milhões. Os portos de Pelotas e Porto Alegre também estão sendo impulsionados por importantes projetos como o das toras de madeira, em Pelotas. O terminal pelotense teve aumento de 6% quando comparado ao mesmo período do ano passado, chegando a uma receita superior a meio milhão de reais. Já o porto de Porto Alegre, teve crescimento de 11% ultrapassando em 2017 a receita de R$ 5,2 milhões. A Superintendência do Porto do Rio Grande, desde abril de 2017, é gestora do sistema hidroportuário gaúcho e responsável pela administração dos três portos mencionados. Todos esses números poderão retroceder caso a unidade portuária riograndina comece a perder espaço para os portos de Santa Catarina e Paraná em decorrência da intempestiva decisão.

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    Projeto Retiro – Na sexta-feira, dia 22 de setembro, foi dado mais um passo legal para a implantação de outro bom empreendimento com bom retorno econômico na região sul do estado. O Projeto Retiro, que tem duração prevista de 20 até 30 anos e é liderado pela empresa brasileira Rio Grande Mineração com vistas à exploração de titânio e zircônio em uma área de 30 km de extensão e 1,6 km de largura. O titânio é utilizado na indústria médica, bélica e espacial. O zircônio, na indústria de cerâmicos e refratários, moldagem em fundições de aço e microfusão de ligas ferrosas especiais, pigmentos para esmaltes porcelanizados, isoladores térmicos e elétricos.

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    Recursos – O investimento inicial giraria em torno de R$ 400 milhões. O processo de licenciamento ambiental iniciou em 2011 e o plano é estar em pleno funcionamento em 2020. A produção anual é estimada em 300 mil toneladas na primeira fase chegando a 600 mil toneladas, com geração de R$ 50 milhões a R$ 70 milhões de impostos anualmente e geração de 1,5 mil empregos no pico da obra e 350 empregos no depois de instalada. O IBAMA já emitiu licença prévia e a audiência pública na Câmara de Vereadores de São José do Norte cumpre mais um passo legal para a instalação do empreendimento.

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    RGM – A ocorrência de minerais pesados que se estendem por vasta área da costa litorânea do Rio Grande do Sul é conhecida por pesquisadores desde a década de 1970.  A RGM é detentora de grupos de direitos minerários, outorgados pelo DNPM – Departamento Nacional da Produção Mineral, que se distribuem por cerca de 80 km ao longo da faixa entre o Oceano e a Lagoa dos Patos, no município de São José do Norte. Estes direitos,  contendo os depósitos de minerais pesados, com destaque para Ilmenita, Rutilo e Zirconita, constituem o intitulado “Complexo Minerário Atlântico Sul”. Em razão de sua grande extensão, o Complexo Minerário foi dividido em três setores distintos e com projetos independentes de exploração mineral, denominados por: Retiro (área sul); Estreito/Capão do Meio (área central) e Bujuru (área norte). Atualmente, o único empreendimento em licenciamento é o Projeto Retiro, situado no litoral médio do estado do Rio Grande do Sul e acessível por via rodoviária pela BR – 101 e por estradas vicinais. Vai ter gente a favor da miséria e contra os avanços, podem esperar!

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    Até a próxima!




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