Jornal Zero Hora sobre energia eólica em Santa Vitória do Palmar: “Na curva do vento, a energia”

Uma das regiões mais isoladas do Estado, que só às vésperas do século 21 foi conectada ao sistema elétrico comum a todo o Brasil, recebe um investimento de R$ 1,5 bilhão e novas oportunidades. Em Santa Vitória do Palmar, o Complexo Eólico Geribatu vai estabilizar o fornecimento de luz na cidade e ainda reforçar o abastecimento no Estado e no país. A novidade gera expectativa e também certa desconfiança na população. Mais de uma centena de gigantescas torres equipadas com pás que transformam o Minuano em eletricidade sopram ambição na estreia da região na paisagem dos parques eólicos: a potência instalada é maior do que a inicial no pioneiro projeto de Osório, que hoje tira proveito dos resultados financeiros e de imagem embalados pelo novo negócio.

O Complexo Eólico Geribatu, em implementação pela Eletrosul, representa investimento de R$ 1,5 bilhão, cifra inédita na economia da cidade cujo comércio ainda conserva ares do século 19. O projeto promete desenvolvimento, suscita dúvidas sobre o futuro do município e, à medida que vão sendo erguidos os cata-ventos próximos ao Balneário Hermenegildo, atrai olhares de quem transita pela BR-471.

É tanta novidade que a própria prefeitura já tratou de anunciar no pórtico de entrada: “Os ventos daqui vão gerar energia para o Brasil”. Sentem o impacto das obras, principalmente, o comércio e o setor de imóveis. Corretor e dono de uma imobiliária há mais de 30 anos, Vulmar Dinegri diz que os preços dos aluguéis mais que dobraram em relação ao ano passado. Um apartamento de um quarto que antes era locado por R$ 400 ao mês, hoje pode chegar a R$ 950.

– É pouca oferta de imóveis pra muita gente – justifica.

Nas lojas, o movimento aumentou. Bruna Bueno, gerente de uma padaria no centro da cidade, conta que nunca vendeu tanto prato-feito. Do outro lado da rua, em uma loja de confecções, as proprietárias Naifa e Samira Hasan e a atendente Valesca Vernetti sabem até o dia de pagamento dos funcionários da obra.

– Eles recebem por quinzena. A cada dia 15 e a cada dia 30, eles vêm aqui e fazem a festa – conta Valesca.

Os parques estão conectados a uma subestação coletora no meio do parque, ligada à primeira subestação Santa Vitória do Palmar, que dará conta de abastecer a região – consumidora de, no máximo, 50 megawatts (MW) dos 258 MW de potência do Complexo.

A pouco mais de 20 quilômetros de Santa Vitória do Palmar está Chuí, onde a população pode, literalmente, colocar um pé no Brasil, outro no Uruguai. O município de fronteira deve receber, ainda neste início de ano, um investimento de R$ 800 milhões em outro empreendimento eólico com capacidade de 144 megawatts, distribuído em sete parques.

A fase atual é de espera pela licença da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) – o que deve ocorrer, segundo a Eletrosul, nas próximas semanas. Em seguida, informa a Eletrosul, a obra começa. Somados, os parques do Chuí e Geribatu, em Santa Vitória do Palmar – que já têm projeto de ampliação, com a implantação de mais 11 parques (154,7 megawatts) – cobiçam um título imponente: o de maior complexo de geração eólica da América Latina, com um total de 573,7 megawatts.

Fonte: Luísa Martins – Jornal Zero Hora
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