

Mário Augusto de Freire Gonçalves*
Quem conhece o Rio Grande do Sul de verdade sabe que a Metade Sul não é apenas uma parte do mapa. Ela é parte da história, da identidade e da economia que formaram o nosso Estado.
Foi nessa região que nasceram tradições que ajudaram a moldar o espírito gaúcho. Foi aqui que se consolidaram cadeias produtivas fundamentais para o desenvolvimento do Rio Grande, especialmente no campo, na pecuária e na produção de alimentos que movimentam a economia de inúmeras cidades.
A Campanha, a Fronteira e toda a Zona Sul sempre tiveram um papel decisivo na construção do nosso Estado. Municípios como Pelotas, Dom Pedrito, Bagé, Santana do Livramento, Rio Grande e tantos outros formam um território de enorme importância econômica e cultural.
Aqui está uma parte significativa da produção de arroz do Brasil. Aqui estão cadeias produtivas que movimentam a pecuária, a agricultura, a logística e o comércio regional. Aqui vivem homens e mulheres que acordam cedo todos os dias para produzir, trabalhar e gerar riqueza para o Rio Grande.
Mas, ao longo do tempo, a Metade Sul muitas vezes acabou ficando distante das grandes decisões políticas do Estado.
Esse é um ponto que precisa ser refletido com seriedade.
Um Rio Grande do Sul equilibrado passa necessariamente por uma representação política que compreenda as diferentes realidades do nosso território. As regiões que produzem, que geram desenvolvimento e que sustentam cadeias econômicas fundamentais precisam ter voz ativa nas decisões que moldam o futuro do Estado.
A Metade Sul tem vocações muito claras. O agronegócio, a pecuária, a produção de arroz, a força do comércio regional e o potencial logístico ligado ao Porto de Rio Grande são exemplos concretos da importância dessa região para o crescimento do Rio Grande do Sul.
Quando o interior cresce, o Estado cresce junto.
Quando fortalecemos quem produz, estamos fortalecendo toda a economia gaúcha.
Por isso, defender a Metade Sul não é uma pauta regional isolada. É uma pauta estratégica para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul.
Mais do que nunca, precisamos ampliar o diálogo, fortalecer as lideranças regionais e construir uma agenda que valorize quem produz, quem empreende e quem acredita no potencial dessa terra.
A Metade Sul tem história, tem identidade e tem força econômica. O que precisamos é garantir que essa força também esteja presente no centro das decisões políticas do nosso Estado.
Porque quando a Metade Sul avança, o Rio Grande avança junto.
*Ex-Prefeito de Dom Pedrito e Ex Secretário Adjunto de Desenvolvimento Econômico do Estado.