

NA CONTRAMÃO DO AVANÇO!
(E com o freio de mão puxado).
Clayton Rocha*
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A recente jornada no Distrito Federal deixou-nos assustados diante da nossa pobreza política no contexto nacional. A começar pela ausência de consenso entre Prefeitos do Sul do Estado; a continuar através do corajoso posicionamento do prefeito de São Lourenço do Sul, este cheio de convicções mesmo na contramão de seu próprio partido político.
A Br-116 foi duplicada há mais de dez anos, e não por completo, mas soube fortalecer a ideia de que se tratava de uma conquista e tanto. Alguns de seus padrinhos saltaram de seus esconderijos e pousaram de heróis, aqueles heróis à parte, movidos tão somente pela sua própria soberba. Mas mercê o esforço de tantos, da sociedade civil, da Academia, das Alianças, dos prefeitos, dos deputados federais e dos demais segmentos regionais, tinha-se uma estrada e isso era o que importava. Apostava-se num grande futuro e o tempo haveria de mostrar o tamanho daquela conquista. Esse mesmo tempo que neste mês de outubro de 2025 deixa perguntas, mostra respostas, esclarece dúvidas e traz verdades.
Provamos a nós mesmos, após essa experiência de Brasília, feita mais de pontos de interrogação do que de respostas convincentes, que existem finais infelizes, finais felizes e… finais necessários! ( Esses últimos, a propósito, sinais motivadores em favor de um “novo levante” da metade do Rio Grande do Sul!).
Por enquanto, ninguém se entende. Não há consenso nem mesmo entre Prefeitos e deputados. Os discursos, aqui e ali, lidos ou de improviso, inflamados ou insossos, não levam a nada: Brasília é uma esfinge surda, fria e indiferente, mas não nos resta outra alternativa a não ser a de prosseguir.
E se a tentativa de negociação com Brasília foi um contundente fracasso, devemos repensar a estratégia junto ao núcleo do poder. E exercitar a criatividade. E recomeçar do zero!
Recomecemos, pois! A uma só voz. Focados. E colocando-nos acima dos nossos próprios erros, vaidades, pobrezas de espírito e estratégias, pois até aqui não deu certo.
E temendo uma provável longa espera, mas reconhecendo o alto poder político do Planalto Central e do Nordeste no centro das decisões nacionais, ousamos dizer que muitos pensadores, – tanto na filosofia clássica quanto na moderna, – já refletiram sobre o significado da palavra “mediocridade”, o oposto da excelência, da virtude e da busca por um ideal superior, e então contrastaram a mediocridade com a grandeza do espírito humano, feita de originalidade e de coragem, e optaram de imediato por essa última.
Pois sonhemos com isso, afinal de contas somos dependentes de um vigoroso “sinal de Luz” vindo lá do Planalto em benefício da parte sul do mapa “ continental” do Brasil. E que em todo esse sonho coletivo sejamos fortalecidos por palavras generosas e emblemáticas de homens do porte de um Olavo Bilac:- ” Trabalhai, porque a vida é pequena, e não há para o tempo demoras! Não gasteis os minutos sem pena! Não façais pouco caso das horas!”
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Finalmente, e para descontrair: Não sabemos quantos milhões de reais serão necessários para refazer trechos e para preservar uma Br-116 inteira em 2026, 2027, 2028, 2029 e 2030, sem ousadias outras quanto aos prazos nesses temíveis exercícios de futurologia. E por conta disso, e até nos parece válido, aconselhável recorrermos a esse gigantesco Leonardo da Vinci diante da presente pendenga: -“Óh miséria humana, de quantas coisas – por dinheiro – és Serva!”. (CR).
*Jornalista e criador do Treze Horas em 1978.