Eleições 2026 ARTIGO – O VAZIO DA POLÍTICA E O RETROCESSO DO DEBATE

O Vazio da Política e o Retrocesso do Debate

Paulo Gastal Neto*

Entramos na semana final da campanha eleitoral com vistas ao processo do próximo domingo. O debate está posto desde o dia 16 de agosto e temos falado muito no programa Treze Horas, que o momento, o processo não entusiasma, não contém nada de novo. Ele retrocedeu em relação a outras eleições, e mais: a pauta eleitoral foi substituída pela crise no STF, que simplesmente paralisou a nação durante boa parte das discussões em relação ao pleito.

O programa, que vai completar 48 anos em novembro, tornou-se ao longo deste tempo, uma referência reflexiva e importante no debate eleitoral, porém este objeto de discussão decaiu sobremaneira. Essa bagagem de quase cinco décadas, acompanhando e vivenciando os mais diversos processos eleitorais, observando política com frequência diária, chegou a uma constatação quase óbvia: vivemos um retrocesso evidente do teor do debate político.

Em nível nacional, assistimos a exaustiva repetição de uma polarização que não propõe projetos que entusiasmam o eleitor e sim trabalham amplamente na ideia de desconstrução dos adversários. Não se vê propostas estruturadas para a cambaleante economia brasileira, por exemplo. Ao invés disso, o cenário é dominado por ataques mútuos entre os líderes das pesquisas e decisões eleitoreiras de último momento.

No âmbito regional, falando principalmente em Pelotas e Rio Grande, ressurgiu mais uma vez, o velho discurso que prega o “voto nos candidatos da terra”, como se o simples endereço do parlamentar fosse a razão principal para resolver os crônicos problemas do sul do estado. A pergunta elementar é: como vamos aderir a essa campanha com mais de 35 candidatos a deputado federal e estadual?

Não seria mais razoável tomar um posicionamento claro e objetivo em cima de uma pesquisa que apontasse os candidatos que tivessem as reais chances de conquistar uma cadeira e cerrar fileiras nesses nomes?

O eleitor deve ter em mente que a escolha de seu deputado deve atuar em consonância com o seu pensamento ideológico, focando no desenvolvimento regional amplo e não apenas em um balcão de negócios. Ele deve estar afinado com a ideologia e os compromissos do seu candidato e não com o CEP do candidato.

Enfim, o processo atual não entusiasma e reforça a certeza de que pouco ou nada mudará na nossa região sob o embalo de um discurso esvaziado. Somos obrigados a citar um exemplo evidente e que salta aos olhos de todo eleitor gaúcho: a bancada no RS na Câmara Federal não teve forças para sensibilizar o governo em relação a importância da duplicação do trecho sul da BR-116, o corredor do Porto de Rio Grande. Ora, se essa obra sequer uniu em sintonia o estado, o que esperar em relação a um processo novo de desenvolvimento para a metade sul?

Há que se fazer, obrigatoriamente, uma exceção nesse cenário: a atuação de parlamentares ligados ao agronegócio. Por ter o Rio Grande do Sul uma base econômica extremamente forte nesse setor, a representação parlamentar ligada à atividade rural demonstra um nível de articulação e relevância diferenciado e que busca uma influência junto ao poder central que outrora o RS foi protagonista.

É uma pena que essa seja a principal constatação nesta campanha eleitoral. Este espaço democrático aceita o contraditório, mas não muda sua visão, afinal estamos na comunicação cobrindo política e as eleições há mais de 40 anos.

*Radialista e editor do www.caminhosdazonasul.com.br

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