ARTIGO – A IA ESTÁ POTENCIALIZANDO A ASSESSORIA DE IMPRENSA

A IA está potencializando a assessoria de imprensa

Giovani Gafforelli*

A inteligência artificial está criando uma nova função para a assessoria de imprensa,  construir reputação também para as máquinas. Durante décadas, conquistar espaço em jornais, rádios, TVs e portais significava alcançar pessoas e conferir credibilidade pública a empresas, instituições e figuras públicas. Isso continua verdadeiro. A diferença é que agora existe um novo intermediário entre a informação e o cidadão, a IA.

O comportamento de busca está mudando. Em vez de abrir o Google, percorrer páginas de resultados e consultar diferentes sites, cada vez mais pessoas simplesmente perguntam ao ChatGPT, Gemini, Claude ou Perplexity. “Quem é essa pessoa?”, “qual é sua trajetória?”, “o que ela fez?”, “quais são suas posições sobre determinado assunto?”. Em segundos, recebem uma resposta pronta.

Mas a inteligência artificial não conhece ninguém pessoalmente. Para responder, sistemas que utilizam busca e recuperação de informações recorrem a um enorme ambiente de informações públicas. E é justamente aí que a assessoria de imprensa ganha uma dimensão que até pouco tempo atrás praticamente não existia.

Uma empresa pode afirmar em seu próprio site que é referência no seu segmento. Um candidato pode repetir nas redes sociais que possui experiência em determinada área. São fontes próprias e interessadas. Quando veículos jornalísticos independentes registram fatos, entrevistas, projetos, posições e acontecimentos relacionados àquela pessoa ou instituição, cria-se uma camada externa de informação e credibilidade.

Isso sempre foi reputação. A novidade é que esse patrimônio jornalístico não termina mais quando a notícia deixa a capa de um portal. Ela permanece pesquisável, indexada e potencialmente disponível para mecanismos de busca e sistemas de inteligência artificial.

Para a comunicação política, o fenômeno merece ainda mais atenção. Pesquisa divulgada pelo ITS Rio sobre as eleições de 2026 mostrou que, entre 197 candidaturas a governador registradas no TSE, apenas 20 foram mencionadas por todas as inteligências artificiais analisadas. O estudo não permite concluir que cobertura jornalística seja a causa dessa diferença, mas evidencia um problema novo: existir na eleição não significa necessariamente existir com a mesma clareza no ambiente informacional das IAs.

É por isso que o velho clipping precisa começar a dividir espaço com uma pergunta diferente: quando alguém pergunta à inteligência artificial sobre meu cliente, o que ela encontra?

A assessoria de imprensa do futuro continuará dependendo de algo bastante antigo, boas pautas, fatos relevantes, credibilidade e relacionamento com jornalistas. O que mudou foi o alcance desse trabalho. Uma reportagem pode informar milhares de pessoas hoje e continuar compondo a presença digital de alguém amanhã.

Não se trata de ensinar uma IA a falar bem de um cliente — nem existe garantia de que isso seja possível. Trata-se de construir uma presença pública robusta, verificável e distribuída, para que pessoas, buscadores e inteligências artificiais encontrem informação qualificada.

Na era da inteligência artificial, reputação não será apenas aquilo que dizem sobre você. Será também aquilo que as máquinas conseguem encontrar quando perguntam quem você é.

*Giovani Gafforelli é jornalista político e assessor de imprensa da Bancada do NOVO na Câmara de Porto Alegre

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