TRANSPORTE DE CARGAS E LOGÍSTICA COM PROBLEMAS NO RS

Rodovia interrompida em Eldorado do Sul – Foto Mauricio Tonetto SecomRS

As dificuldades em transitar pelas rodovias gaúchas tem afetado a economia da Zona Sul

Em meio à crise desencadeada pelas fortes chuvas e enchentes que assolam o Rio Grande do Sul, as empresas do segmento de transporte rodoviário de cargas e logística enfrentam grandes desafios para fazer chegar as cargas que abastecem diversos segmentos econômicos.

Nos supermercados, a crise é visível em gôndolas desabastecidas, sobretudo nos produtos hortifrutigranjeiros e nos perecíveis. Água e combustíveis também sofrem com as condições da logística;

De acordo com o Sindicato das Empresas de Carga e Logística no Rio Grande do Sul (SETCERGS), a logística, que é tão importante em cenários de perdas materiais e humanas, está altamente comprometida. “Estamos vivenciando um momento de extrema dificuldade para os transportadores e para nossos embarcadores. Não há ainda estimativa, mas sabe-se que o prejuízo será gigantesco, destacou o presidente do Setcergs, Sérgio Mário Gabardo.

As rodovias estão sendo utilizadas principalmente para a circulação das cargas com ajuda humanitária e pelos veículos de salvamento das equipes de resgate.

Estoque de materiais da Porto5 – Foto: Divulgação

IMPACTOS NA ZONA SUL

Em nossa região, a situação não é diferente. Com o principal corredor de cargas, a BR-116 bloqueada no acesso à capital, muitas operações de transporte ficaram prejudicadas.

Um dos setores afetados é a construção civil. O sócio-fundador da Construtora Porto5, Rafael Nascimento diz que a empresa foi atingida pela crise no transporte de mercadorias. “Nossas obras continuarão sendo executadas nesta semana, na medida do possível, até que o material disponível em estoque para cada uma delas se esgote, porém já estamos enfrentando atrasos na entrega dos insumos”, observa Nascimento.

“Uma grande carga de vidros temperados e a base do asfalto para ser aplicada em uma rua aberta em frente a uma de nossas obras estão presas em Porto Alegre aguardando para serem embarcados assim que as estradas permitirem”, completa o sócio-fundador.

“Estamos completando duas semanas sem acesso aos principais insumos de produção, acarretando paralização de algumas obras, principalmente em fase de fundação e concretagem, e diminuindo o ritmo de outras obras em função do consumo de todo o material em estoque. Alguns fornecedores importantes continuam com suas fábricas embaixo da água. Estimamos um prazo de 60 a 90 dias para que o fluxo de fornecimento de material retorne a um grau aceitável de regularidade”, explica Rafael Nascimento.

“É difícil agora medir o impacto sobre os prazos das obras, pois ainda não temos a real dimensão da repercussão na nossa cadeia de suprimentos. Assim como todos os Gaúchos e Brasileiros, estamos em estado de choque com tudo o que aconteceu, esperando que danos maiores não venham mais a ocorrer e sobretudo vidas sejam preservadas. Assim que as condições das águas permitirem, iremos dia a dia retomar nossas atividades, como irão fazer todos os nossos irmãos e empresas do Rio Grande do Sul afetados direta e indiretamente por esta tragédia”, conclui Nascimento.

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