AZEITE DE OLIVA PRODUZIDO EM CANGUÇU É ESCOLHIDO COMO O MELHOR DO BRASIL

Cultivo começou em 2012 em uma fazenda de 4 mil hectares | Foto: Kaue Silva / Divulgação

Produto foi avaliado entre 517 amostras no concurso Olivinus na Argentina

Cultivado na Fazenda Tarumã da Boa Vista, em Canguçu, o Coratina da Capolivo ganhou o prêmio de melhor azeite de oliva extravirgem do Brasil no concurso Olivinus, que é o segundo maior do mundo. O produto, uma variedade de azeitona italiana que possui um sabor intenso e amargo, foi escolhido entre 517 amostras, com 98 pontos – a maior pontuação da competição, em Mendoza, na Argentina.

Administrada pela família Capoani, por meio de áreas de reflorestamento de pinus e criação de gado, a Capolivo vem se destacando no cenário dos concursos nacionais e internacionais desde a primeira safra de oliveiras. Ao todo, já são 36 prêmios conquistados.

Apenas em 2023, com sua quinta safra comercial, cuja produção já foi o dobro em relação a 2022, foram 11 prêmios, entre eles: Ranking Flos Olei 2024 e o 1º lugar no concurso da CNA com o monovarietal Arbequina. Além disso, recebeu medalhas de ouro no NYIOOC, em Nova Iorque, com os monovarietais Koroneiki, Picual e Coratina; e medalha de Ouro no London IOOC, com o Koroneiki.

No seu processo de produção, a Capolivo busca obter o menor tempo entre a colheita e a extração do azeite. Segundo a empresa, os cuidados em cada etapa garantem um produto com o frescor e sabor de azeite extra virgem que varia de levemente amargo ao picante, com acidez inferior ou igual a 0,2%. “O clima da região, aliado ao relevo e tipo de solo, propiciam um terroir excelente para o desenvolvimento das oliveiras, elevando a qualidade do nosso azeite extra virgem a um produto de excelência”, explica Carolina Capoani, diretora de marketing.

Herança familiar

Foi uma reportagem na televisão falando sobre o início da produção de azeites no Brasil, em 2012, que despertou o interesse de Jandir Francisco Capoani, na época com 74 anos, em plantar oliveiras em sua fazenda de 4 mil hectares em Canguçu. A propriedade tinha sido adquirida em 2006 para reflorestamento de pinus e criação de gado, depois que ele vendeu sua indústria, a Iriel Interruptores Elétricos, para a Siemens. O empresário buscou na Itália, sua terra de origem, inspiração para o cultivo e a produção de azeite de oliva extra virgem.

Enfrentou muitos desafios no início, incluindo erros na introdução do plantio e a perda de mais de 20 hectares devido a geadas. Mesmo com todas as dificuldades climáticas, uma vez que a oliveira é originária de um clima árido e seco, foi possível extrair os primeiros azeites em sete anos.

Em 2019, Capoani lançou o desafio para suas três netas, Rachel, Martina e Carolina: “Eu produzi, agora vocês precisam vender e divulgar este azeite”. E foi assim que as irmãs entraram para o mercado da olivicultura. Além delas, outros membros da família fazem parte do negócio, como os filhos do empresário, Joe e Joice Capoani, além do engenheiro agrônomo técnico, Rodrigo Binotto.

Atualmente, a família produz azeitonas em uma área atual de 100 hectares, que continua em expansão. A Capolivo é comercializada em mais de 200 estabelecimentos nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Distrito Federal. Neste ano, a marca está buscando expansão comercial para levar o produto a todo o Brasil e, para isso, tem participado das principais feiras do mercado no país.

Segundo Carolina,  já há interesse em exportação. “Com os reconhecimentos que estamos recebendo em premiações internacionais, é natural que haja interesse comercial de outros países. Neste momento, nosso foco está em expandir nossa marca pelo Brasil, mas é provável que, em breve, a qualidade do azeite extra virgem gaúcho conquiste outros mercados”, revela.

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