CENÁRIO DE INCERTEZA NA ECONOMIA BRASILEIRA ABALA CONFIANÇA DO INDUSTRIAL NO RS

“A indústria gaúcha inicia o segundo trimestre sem confiança, abalada pelas condições atuais e pelas expectativas em relação à economia brasileira, que desacelera por causa dos efeitos da política monetária restritiva sobre a demanda doméstica e o crédito, além da elevada incerteza decorrente das indefinições no campo fiscal”, explica o presidente da FIERGS, Gilberto Porcello Petry. Foto: FIERGS

ICEI-RS da FIERGS recua para 46,4 pontos, atingindo níveis compatíveis a outras crises

O Índice de Confiança do Empresário Industrial gaúcho (ICEI-RS), divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), caiu 0,4 ponto de março para abril, de 46,8 para 46,4 pontos. Com isso, atingiu um nível muito baixo, compatível com cenários de outras crises intensas, como em julho de 2006 (44,5 pontos), e em janeiro de 2009 (45,5 pontos), decorrentes, respectivamente, de uma estiagem histórica e da crise financeira global de 2008. “A indústria gaúcha inicia o segundo trimestre sem confiança, abalada pelas condições atuais e pelas expectativas em relação à economia brasileira, que desacelera por causa dos efeitos da política monetária restritiva sobre a demanda doméstica e o crédito, além da elevada incerteza decorrente das indefinições no campo fiscal”, explica o presidente da FIERGS, Gilberto Porcello Petry.

Desde 2005, início da série histórica, a confiança do setor só foi menor do que a atual nos períodos de junho de 2014 a junho 2016 (média de 40,3 pontos), devido à maior e mais longa recessão econômica já registrada, e de abril a junho de 2020 (média de 35,6 pontos), na primeira onda da Covid-19.  O índice varia de zero a cem pontos e abaixo de 50 indica falta de confiança. O ICEI-RS é composto pelos índices de Condições Atuais e de Expectaivas da economia brasileira e da própria empresa.

O de Condições Atuais registrou 40,2 pontos em abril, 0,9 abaixo de março, e tem registrado queda sistemática desde outubro de 2022 (-18 pontos), o que o levou ao menor valor – com exceção do período da pandemia entre abril e julho de 2020 – desde junho de 2016. Abaixo de 50, indica piora nas condições dos negócios, e quanto menor, mais intensa e disseminada é a percepção negativa entre os empresários.

Na sétima redução seguida, o Índice de Condições Atuais da Economia Brasileira atingiu 34,3 pontos em abril, -1,2 ante março, acumulando perda de 24,7 pontos no período. É intenso e disseminado o sentimento de piora da economia em abril, percepção de 58,8% das empresas, ante 4,8% que apontam melhora.  As condições atuais das empresas também continuam a se deteriorar, com nova queda do índice de 43,9 para 43,1 pontos no período. As perdas totalizam 14,7 pontos nos últimos sete meses.

EXPECTATIVAS
As expectativas dos empresários estabilizaram em abril depois de dois meses seguidos de melhora. O índice atingiu 49,5 pontos, recuando 0,2 ante março e revelando ligeiro pessimismo. O resultado, porém, deriva de avaliações discrepantes com relação ao Índice de Expectativas da Economia Brasileira, que caiu de 42,4 para 41 pontos, e do Índice de Expectativas das Empresas, que subiu de 53,4 para 53,9. Em abril, 43,9% dos empresários mostram pessimismo com relação ao futuro da economia brasileira, ante 13,4% que revelam otimismo.

Segundo o presidente da FIERGS, a falta de confiança desestimula a geração de emprego e o investimento do setor, sinalizando dificuldades para a indústria retomar a trajetória de crescimento após um começo de ano em declínio. A pesquisa consultou 189 empresas, sendo 47 pequenas, 61 médias e 81 grandes, entre 3 e 13 de abril.

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