ARTIGO – A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA | FÓSSIL – VERDE | FRACASSOU?

Fabricio do Amaral Iribarrem

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A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA | FÓSSIL – VERDE | FRACASSOU?

Fabricio do Amaral Iribarrem*

O retorno da geração por matrizes “não verdes” na Europa, tais como a Carvão e Nucleares, somado a impactante inflação dos combustíveis derivados de petróleo que tem assombrado as cadeias econômicas em todo o mundo, criaram bases para vídeos, artigos e matérias jornalísticas que perguntam: A Transição Energética Fracassou? Acho válida a reflexão, ainda que pense o termo fracasso ser pesado, servindo apenas para exposição jornalística.

1. Considero a transição energética um caminho natural, racional e sem volta, que vai levar tempo. Não será do dia pra noite por ruptura ou por discursos ambientalistas;

2. Até lá, parece-me precipitado e estrategicamente equivocado abandonar as atuais fontes energéticas, até aqui consolidadas e firmes, quaisquer sejam, que possibilitam uma matriz sólida e segura, dando tempo ao desenvolvimento para a transição energética à essa nova matriz verde;

3. Nesse sentido, é um erro criar um discurso e ampliar uma retórica que se oponha  as atuais fontes de uma maneira tão acintosa como os governos tem feito. Esse movimento governamental coloca a sociedade avessa ao modelo atual, sem uma solução pronta, o que por óbvio reflete também nos mercados produtores e investidores, que não se predispõem mais a investir e ampliar essa matriz consolidada enquanto a nova se desenvolve.

4. Essa redução do mercado produtivo, adicionado à especulação, aos impactos de uma guerra na Europa, aos reflexos das restrições produtivas na pandemia, conduzem a atual situação de escassez de oferta em um momento que o globo demanda a matriz vigente com ampla escala, sem a estrutura pronta da nova matriz verde. Resultado: inflação de preços no mercado energético;

5. Penso que a solução mais proveitosa seria dar sinal claro aos produtores da atual matriz que a mesma é necessária, e assim será nos próximos 20 anos, criando um ambiente econômico e com segurança jurídica para essas operações, sem mazelas políticas e ambientais que interfiram negativamente, mas já sinalizando a futura migração de matriz, de uma forma orgânica e sustentável do ponto de vista econômico.

*Eng. Eletricista e Advogado – Diretor Comercial GEBRAS

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