
CAMINHOS DA ZONA SUL
www.caminhosdazonasul.com____________________Paulo Gastal Neto
Ciência – Vai acontecer ‘aqui do lado’, em Punta Del Leste – no Uruguai – o maior encontro internacional já realizado na América sobre a utilização científica da maconha. Não se trata de apologia à liberalização ou descriminização de drogas e sim, ciência! É a primeira edição do Cannamerica.
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Encontro – Será o maior congresso no continente que abordará exclusivamente o tema “uso medicinal e científico da cannabis”. Acontecerá entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro e a organização espera cerca de 800 participantes, entre médicos, cientistas, educadores, investidores e representantes dos órgãos oficiais. O Diretor-Presidente da Anvisa, Willian Dib, será um dos palestrantes do megaevento, o que sinaliza que o órgão regulador do governo brasileiro está buscando dados sobre os processos científicos que norteiam a utilização da ‘cannabis’ como remédio. Os organizadores do Cannamerica, com quem conversei pessoalmente, sabem que muitos passos ainda serão necessários para facilitar o acesso dos brasileiros à essa terapêutica, porém já não faltam dados para mostrar como isso é relevante e o referido congresso mostrará muito mais. O governo brasileiro, por seu lado, está atento a pauta e já sinaliza com posições positivas!
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Convite – Agradeço o convite da organização, que tem o pelotense João Pedro Raupp e o paulista Ricardo Cunha Rocha entre os seus dirigentes. Na ocasião acontecerá um painel sobre ‘O papel da imprensa na educação da sociedade’, tendo como moderador o Dr. Jairo Bouer (psiquiatra e apresentador de TV) e as participações de Guille Garat, Fábio Pannunzio (jornalista), Rosângela Marques Lara (jornalista de São Paulo), Cláudia Collucci (colunista da Folha de São Paulo) e Raquel Rojas (C.E.O. da Rojas Comunicação de S.P.).
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Preconceito – Quando se fala em maconha, o que vem no seu pensamento perguntam os especialistas? Se a resposta for ‘apenas pessoas utilizando a planta como droga para ficarem eufóricas e relaxadas’, definitivamente está na hora de rever conceitos. Atualmente a ‘cannabis’, seu nome científico, tem se destacado no meio médico e se mostrado altamente eficaz no tratamento de uma extensa lista de males. De acordo com o Dr. Sidarta Ribeiro, neurocientista e professor Titular de Neurociências e Vice-Diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, “a cannabis tem mais de 100 princípios ativos canabinoides e entre eles estão os princípios THC e CBD, os mais importantes e que auxiliam a combater doenças como epilepsia, depressão e Alzheimer”.
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Histórico – Em 2017, o primeiro medicamento à base da planta chegou ao mercado. Outro indício de que o assunto tem mexido com a sociedade é que o número de pacientes que conseguiu autorização para a importação do vegetal com fins terapêuticos cresceu 25 vezes em quatro anos, passando de 168 em 2014 para 4.236 em 2018. A quantidade de médicos que prescreveu tratamento com a sua aplicação também disparou, foi de 321 para 911 no mesmo período, indicando uma elevação de 183%.
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Ponto pacífico – ‘O certo é de quem lê sobre o assunto, mesmo que superficialmente, percebe imediatamente que já existem muitas evidências científicas que orientam à necessidade de regulamentação. As autoridades deveriam se basear nelas para propor políticas públicas eficazes e disponibilizar o medicamento fitoterápico para os pacientes graves, na através do SUS, pois se trata de um fitoterápico e, não baseá-las em preconceito e nas leis de mercado.
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Onde? – O ‘canabidiol’, ou CBD, é possível ser importado desde 2015 e, desde 2018, se encontra a venda um derivado fitoterápico, em farmácias, o Mevatyl, que está aprovado pela Anvisa e consagrado no exterior com o nome de Sativex. O ‘canabidiol’, segundo pesquisas, reduz a ativação exacerbada dos circuitos nervosos, o que leva às convulsões em pacientes com epilepsia. A partir desses resultados o Departamento de Química Medicinal da Universidade Hebraica de Jerusalém, Israel, aprofundou estudos sobre os componentes psicoativos da ‘cannabis’ chegando ao THC – Tetrahidrocanabinol. Israel é o país que mais tem pesquisado e tirado excelentes resultados destas ações, já há quase cinquenta anos.
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Até a próxima!