COMPRADORES MUNDIAIS DE CARNE SE REÚNEM EM BAGÉ

    Grupo conheceu produção da Estância Santa Maria, que oferta animais para o abate halal WENDERSON ARAÚJO/DIVULGAÇÃO/JC – Jornal do Comércio

    JORNAL DO COMERCIO – Thiago Copetti, de Bagé

    Três dos principais mercados internacionais da pecuária brasileira (China, Egito e Irã) e um desejado comprador (o Japão) estiveram reunidos na Estância Santa Maria, em Bagé. Incluída no roteiro do projeto AgroBrazil, da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a fazenda do presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Gedeão Pereira, é um dos grandes exemplos de produção voltada tanto ao mercado interno como externo. “Na cidade temos o abate halal feito pela Marfrig para importantes mercados, como Irã e Egito, que hoje estão aqui e estão entre os maiores compradores de carne brasileira”, explicou Gedeão, antes de mostrar uma caixa de carne com abate pelas regras islâmicas e levadas à fazenda para o churrasco servido ao grupo de estrangeiros. Enquanto Egito e Irã “disputam” posições como maiores compradores da carne bovina brasileira, a China é líder absoluta.

    E, de acordo com o representante asiático da embaixada da China no Brasil, Changqing Bai, ainda poderá ampliar as compras de proteína animal em geral devido ao avanço da peste suína africana na Ásia. “Como estamos abatendo muitos animais, vamos precisar comprar mais carnes em geral, especialmente do Brasil”, resume o chinês. Enquanto a ampliação de negócios com a China é uma perspectiva real, o Brasil, porém, ainda batalha para conseguir entrar em outro mercado asiático: o Japão.

    No momento, são questões sanitárias que impedem a venda para os consumidores japoneses. Um dos problemas é o Brasil ser livre de aftosa com vacinação, explica Lígia Dutra, superintendente de Relações Internacionais da CNA. “Ainda que se diga que ao abrir o mercado americano se abriria o mercado japonês, isso não ocorreu porque os Estados Unidos permaneceram abertos à carne brasileira por pouco tempo, no ano passado, sendo fechando logo depois”, pondera Lígia. Hiraku Hota, segundo-secretário da embaixada do Japão, afirma que o mercado japonês não depende necessariamente da abertura norte-americana. Hota avalia que há questões sanitárias que ainda limitam a venda de carne do Brasil para o Japão e que estão no curso negociações entre os dois governos sobre o assunto. “Abertura do mercado é processo longo e depende de questões de governo e sanitárias que está sendo tratado entre os dois países”, explica o diplomata japonês. Ligia ressalta que em maio essa aproximação do Brasil com o mercado japonês poderá avançar com a presença da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, no Japão.

    No próximo mês haverá um encontro do G-20 realizado lá com foco no agronegócio. Sobre um futuro empecilho nas vendas aos islâmicos, como retaliação pela aproximação do novo governo federal com Israel, a executiva da CNA avalia que a abertura de apenas um escritório comercial em Jerusalém não deve ser motivo para isso. “Quanto mais escritórios comerciais tivermos, melhor. E vale lembrar que há um escritório comercial também em Dubai, da Apex”, diz a superintendente da CNA. A questão, porém, pode retrair os negócios, diz Mohsen Shahbazi, segundo-secretário da embaixada do Irã no Brasil. Mas Shahbazi, também destaque que o Irã tem potencial para dobrar as compras de carne bovina brasileira. Um dos pontos que dificulta essa expansão, porém, não depende de nenhuma ação de pecuaristas. “Temos problemas bancários para efetuar pagamentos. Isso porque há sanções norte-americanas e muitos bancos que estão no Brasil temem fazer transações para empresas do Irã. Se conseguirmos facilitar esse processo, ampliamos as compras aqui”, diz Shahbazi. Um dos mercados que pode ganhar espaço nas gôndolas iranianas, por exemplo, é o do arroz. Provocado por Gedeão a pensar na possibilidade de adquirir no Rio Grande do Sul o grão hoje comprado do Uruguai, por exemplo, o iraniano disse que é uma ação possível. “Não conhecia esse potencial do arroz do Rio Grande do Sul.

    Não sabia que tem a mesma origem do que comprarmos no Uruguai e Argentina. Vamos analisar esse caso, sim”, antecipa Shahbazi. No caso do Egito, além da compra de carne bovina, cresce a importação também de gado em pé. Com uma população que passa de 100 milhões e demanda cada vez mais alimentos, Omar Elrifai, cônsul egípcio, afirma que o país deve comprar cada vez mais carnes brasileiras. “Apesar de termos uma boa produção local, não é mais suficiente para atender toda a demanda. Por isso compramos do Brasil e já chegamos a ser o segundo maior comprador, mesmo adquirindo também de outros países”, ressalta El Rifai. Raça Holandesa abre inscrições para a Expoleite Fenasul que ocorre de 15 a 19 de maio Os criadores da raça Holandesa já podem realizar sua inscrição para a participação na 42ª edição da Expoleite e 15ª Fenasul.

    O evento ocorre de 15 a 19 de maio no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, e contará com intensa programação voltada ao público do setor agropecuário. A agenda da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) contará com concurso leiteiro, julgamento de animais, entre outras atividades. De acordo com o presidente da Gadolando, Marcos Tang, a Expoleite é tradicional para os criadores e tem algumas particularidades interessantes, mesmo não sendo uma feira de grande público urbano. “É uma feira especialmente agradável ao expositor de animais, pois é mais enxuta, com período mais curto de permanência, reduzindo custo e diminuindo o tempo de ausência no estabelecimento domiciliar. Além disso, por ser específica e ocorrer em período com remuneração do leite em recuperação ou estável, acontecem várias possibilidades de negócio ou contatos para futuras relações comerciais”, destaca.

    Tang lembra também que as feiras refletem excelente oportunidade para convívio social entre pessoas que têm interesses semelhantes, oportunizando troca de experiências e aulas particulares, sem custo. “Este tipo de troca de informações é muito importante e acontece nas conversas de galpão e não pode ser contabilizado na prestação de contas do evento, mas eu sempre acreditei que é neste quesito que as feiras cumprem sua maior função social”, observa. O dirigente revela que a Expoleite Fenasul, sempre é um desafio para a Gadolando, em especial, a que ocorre no primeiro ano de um novo comando estadual, como é o caso deste ano, já que o governo, através da Secretaria da Agricultura, promove o evento juntamente com a associação. ” Mesmo sabendo de todas as dificuldades do setor, que não são poucas, por isso a nossa luta é constante, quero conclamar todos os criadores, para mostrarmos a nossa força e união, levando nossas matrizes para o apreço do público. Sabemos que o Estado tem um rebanho com o que a de melhor em genética, vamos exibi-la e dividir alguns instantes da nossa vida com os amigos do setor. Quanto melhor representado estivermos, mais força teremos em nossas reivindicações”, ressalta.




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