JORNAL DO COMERCIO – ENGIE SÓ VENDERÁ PAMPA SUL APÓS SUA CONCLUSÃO

Estrutura terá potência de 345 MW, o que corresponde a 8,5% da demanda média de energia do Estado /FABIO CAMPOS/DIVULGAÇÃO/JC – Jornal do Comércio

Jefferson Klein – JORNAL DO COMERCIO

O processo de venda da termelétrica Pampa Sul somente será retomado no segundo semestre deste ano. A ideia do grupo Engie, que está construindo a usina em Candiota, é aliená-la apenas depois do empreendimento ser concluído. A perspectiva é que a unidade entre em operação comercial entre maio e junho. “Entendemos que dessa forma reduzimos o risco”, afirma o diretor-presidente da Engie Brasil Energia, Eduardo Sattamini. A empresa chegou a abrir tratativas com a ContourGlobal, companhia de geração de energia com atuação internacional e sede no Reino Unido, que estava fazendo a due diligence (checagem das condições do negócio) quanto à Pampa Sul e ao complexo termelétrico catarinense Jorge Lacerda. No entanto, as transações não chegaram a um consenso e foram encerradas na primeira metade do ano passado.

“Como os ativos possuem diferentes características, pois a Pampa Sul está em construção e Jorge Lacerda em operação, optamos por dividir o processo de desinvestimento em duas transações distintas”, destaca Sattamini. Desta forma, continua o dirigente, a companhia está seguindo adiante com o processo de Jorge Lacerda e analisando as propostas recebidas para decisão dos próximos passos. Por uma questão de confidencialidade, a Engie não revela os nomes das empresas e os valores envolvidos no negócio, mas o executivo afirma que já houve propostas colocadas. “Estamos avaliando essas propostas, mas não temos pressa em vender, preferimos vender de forma equilibrada e com um preço mais justo possível”, ressalta. A expectativa é que o negócio a respeito do ativo catarinense seja fechado ainda neste ano.

O complexo Jorge Lacerda, com 857 MW de capacidade instalada, está localizado em Capivari de Baixo, no Sul de Santa Catarina. Já a planta gaúcha Pampa Sul terá uma potência de 345 MW (cerca de 8,5% da demanda média de energia do Rio Grande do Sul). Sattamini enfatiza que a companhia possui um objetivo claro de redução de emissão de CO2 e, por isso, pretende se desfazer dos seus dois ativos de geração a carvão e investir em energias renováveis e gás natural. Sobre a usina em Candiota, o executivo diz que o empreendimento está em estágio avançado, com a execução das atividades finais de obras civis e de montagem eletromecânica, sendo que vários sistemas já estão sendo testados. O avanço físico da obra é hoje de 90% e conta com cerca de 1,7 mil trabalhadores diretos empregados.

Em novembro de 2014, logo após vencer o certame que garantiu a comercialização da energia a ser produzida, o investimento previsto para a Pampa Sul era estimado em R$ 1,8 bilhão. “Reajustes são necessários devido à variação da cotação das moedas, a inflação e outros fatores”, adianta Sattamini. O valor final da térmica, atualizado, só será obtido após sua conclusão. Inicialmente, pelo que estava previsto no leilão, a operação comercial da usina teria que começar em 1 de janeiro de 2019. Indagada se o atraso poderia ocasionar alguma penalidade para o empreendedor, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não retornou o questionamento da reportagem.




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