CULTURA: 1º FESTIVAL “CULTURAL, ARTÍSTICO, ESPORTIVO E CAMPEIRO” COMEÇA NESTA SEXTA-FEIRA (07)

Está chegando a hora. Começa nesta sexta-feira (07), feriado da Independência, o 1º Festival “Cultural, Artístico, Esportivo e Campeiro”, em homenagem ao Centenário de Dona Antoninha Berchon Sampaio. O evento abre as comemorações da Semana Farroupilha da 26ª Região Tradicionalista, que neste ano recebe o nome de Antoninha Berchon, e ocorre até domingo (09), no parque de exposições Ildefonso Simões Lopes, na Associação Rural de Pelotas (ARP).  O 1º Festival tem na coordenação e execução a Fundação Centenário Antoninha Berchon, em parceria com a 26ª Região Tradicionalista e o apoio da Associação Rural de Pelotas (ARP) e Associação dos Cavaleiros da Costa Doce.

O coordenador das festividades, Carlos Souza Gonçalves, explica que o evento tem por finalidade a preservação, valorização e divulgação das artes, da tradição, dos usos e costumes e da cultura popular do Rio Grande do Sul. “Além disso, vamos homenagear esta figura humana ímpar, Dona Antoninha, que tanto valorizou nossa arte e artistas, nas diversas modalidades e expressões”. Segundo ele, trata-se de uma excelente opção de passeio para a família, com uma diversidade de atividades da cultura tradicionalista gaúcha, em ambiente aprazível, seguro e acolhedor, que é o parque da Associação Rural.

A expectativa de público é de 30 mil pessoas, nos três dias. Devem participar os interessados no Tradicionalismo Gaúcho, tais como integrantes de associações de criadores de cavalos, cavaleiros, tradicionalistas, amantes da culinária, música e costumes regionais, oriundo de todo o Rio Grande do Sul, outros estados da federação e de países do Mercosul, como Argentina e Uruguai.

A programação prevê uma série de atividades artísticas, culturais, esportivas e campeiras. No primeiro dia (7), feriado da Independência, as atividades do rodeio campeiro iniciam a partir das 14h. com as provas de laço, para a qual são esperados pelo menos 100 laçadores. As inscrições podem ser feitas no dia. Ainda na sexta,  às 15h, no palco 1, Pavilhão de Eventos Jorge Gertum, ocorre a palestra e mostra sobre Tropeirismo, com Marco Aurélio Angeli e Válter Fraga Nunes. Outra palestra, sobre a homenageada Antoninha Berchon, A Dama da Cultura, ocorre no sábado (8), às 16h, com os integrantes do Instituto Histórico Geográfico do Capão do Leão, Jairo Umberto Costa e Carlos Eugênio Costa da Silva.

A gineteada começa no sábado, por volta das 17h, com a expectativa de participação de 50 ginetes. Para as crianças haverá a modalidade de laço em Vaca Parada, no domingo (09). A abertura oficial do evento será no sábado (08), às 15h, com desfile temático das entidades tradicionalistas envolvidas. Também no sábado, às 20h, ocorre Show-Baile, com a animação de Alci Vieira Júnior e banda.

As apresentações artísticas culturais também iniciam no sábado, com a Mostra Escolar Tradicionalista e seguem durante todo o fim de semana. São esperados em torno de mil participantes nas mais diversas modalidades tradicionalistas:  Danças Tradicionais nas Categorias Infantil, Mirim, Juvenil, Adulta  e Veterana; Dança de Salão nas categorias Mirim, Juvenil, Adulta e Veterana; Solista Vocal Masculino e Feminino – Mirim, Juvenil, Adulta e Veterana; DeclamaçãoMasculina e Feminina – Mirim, Juvenil, Adulta e Veterana; Chula até 14 e 15 anos ou mais; Instrumental (gaita, violão, gaita de boca, bandoneon, rabeca, violino) até 14 e 15 ou mais. Haverá ainda Mostra Folclórica, Concurso Literário e Rodeio Esportivo, com as modalidades de truco e bocha.

O parque funcionará na sexta feira (07), das 14h às 22h; no sábado (08), das 7h às 24h e, no domingo (09), das 7h às 22h. Os ingressos custam R$ 10,00 para os três dias (pulseira vermelha) ou R$ 5,00 por dia (ticket). Idosos  pagam meia entrada e crianças até dez anos não pagam. Patrões e titulados identificados também não pagam. Aos participantes da Mostra Escolar (escolas) será fornecida pulseira verde para o sábado. Toda a renda da portaria reverterá em favor da Associação dos Amigos do Museu da Baronesa.

O valor do estacionamento será de R$ 10,00 (unitário) e R$ 15,00, o adesivo para os três dias. O acesso de veículos será somente pela portaria da avenida Salgado Filho. Haverá espaço para acampamento, com boas condições, luz, água e sanitários e também para expositores.

Informações e contatos

Geral: (53) 99103-3410 com Carlos ou (53) 98487-8795 com Hilda

Alojamento e expositores:  (53) 98431-8988, com Patrícia.

Campeira: (53) 98421-1730 com Elton

Artística/Cultural: (53) 98449-6737 com Ana Paula

 

Um pouco da história da homenageada

Antonia Berchon Sampaio, carinhosamente conhecida como Antoninha, nasceu em 28 de fevereiro de 19l8, na Estância Santo Antônio, hoje município do Capão do Leão,  de propriedade de seu avô, Edmundo Berchon des Essarts. Filha de Jayme de Carvalho e Vera Chaves des Essarts Carvalho, estudou no colégio Felix da Cunha de Pelotas e com 11 anos foi para Paris com seu avô, onde morou durante dois anos e teve despertado o amor pela cultura, história e leitura.

De volta ao Brasil, cursou Assistência Social, no Rio de Janeiro, com prática na Escola Ana Nery. Foi casada com Luiz Raphael de Oliveira Sampaio, nascido em Londres, de mãe inglesa e formado em Engenharia, na Polithecnic de Paris. No Brasil, foi ser  aviador  naval. Tiveram três filhas, Maria Rita, Rosa May e Anna Luiza e nove netos. Apesar de ter criado suas filhas no Rio, lhes transmitiu o amor pela terras das Estâncias situadas no Capão do Leão.

Durante o tempo em que ainda estava no Rio, participou de inúmeras atividades sociais e culturais de Pelotas, trazendo companhias de Ballet do Rio de Janeiro, despertando assim, o gosto pela dança na cidade, revertendo a renda para a Santa Casa. Mais tarde, preocupada com o mau estado dos lindos prédios de Pelotas, trouxe novamente um grande espetáculo de ballet com bailarinos do Teatro Municipal, promovendo assim a reforma do casarão número 6, localizado no entorno da praça Coronel Pedro Osório. Com muito trabalho local e relações em Brasília de sua filha Maria Rita, conseguiu o tombamento dos três prédios da Praça e do Teatro Sete de Abril. Também por suas amizades, conseguiu o acervo de roupas antigas do Museu da Baronesa.

Viúva, em 1970, volta à Pelotas, para assumir suas propriedades, já sendo a quinta geração nestes campos, e assim inicia sua atividade rural, onde a presença feminina era rara.

Dá então, continuidade à criação da raça Devon, introduzida no Brasil por Assis Brasil e seu avô Edmundo Berchon, fazendo um grande trabalho de melhoramento genético, tornando-se o rebanho número 1 do Programa de Melhoramento Bovino (Promebo). Em 1986, tornou-se a maior criadora de Devon do Mundo.

Em 1982, divide a administração das Estâncias, com sua filha Anna Luiza, formada em  Engenharia Agrônoma, pela UFPel, e em 1994, torna-se propriedade franqueada do Projeto Montana, incrementando a produção de touros.

Sua felicidade foi ter conseguido trazer para a cidade natal suas filhas, que continuam a tradição da família e tornam-se a sexta geração nestes campos.  Antoninha faleceu em Pelotas, no dia 5 de outubro de 2014, aos 96 anos.

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