FIM DO POLO NAVAL DO RS: PETROBRAS TRANSFERE PARA A ÁSIA TODOS OS CONTRATOS DE CONSTRUÇÃO DE PLATAFORMAS

Crédito. A Petrobras obteve ontem financiamento de US$ 1 bilhão com o China Exim Bank. Empréstimo é antecipação de recursos de 2017 - Pedro Teixeira / O Globo

Crédito. A Petrobras obteve ontem financiamento de US$ 1 bilhão com o China Exim Bank. Empréstimo é antecipação de recursos de 2017 – Pedro Teixeira / O Globo

Do GLOBO

RIO – Diante da crise do setor naval, a Petrobras deslocou a construção de ao menos nove plataformas — de um grupo de dez que haviam sido encomendadas a estaleiros envolvidos nas investigações da Operação Lava-Jato — para a Ásia, principalmente para a China e para a Tailândia.

Ontem, a estatal deu mais um sinal de sua aproximação com a Ásia. Em comunicado ao mercado, a Petrobras informou ter assinado Termo de Compromisso com o China Exim Bank (The Export-Import Bank of China), definindo as condições para um financiamento de US$ 1 bilhão. O empréstimo é uma antecipação de recursos que seriam tomados em 2017. Uma fonte próxima à estatal explicou que o dinheiro será usado para dar continuidade aos projetos previstos para o próximo ano. No fim de fevereiro, a Petrobras já havia obtido financiamento de US$ 10 bilhões com o Banco de Desenvolvimento da China.

CONDIÇÕES MAIS FAVORÁVEIS

Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Petrobras informou que o crédito de US$ 1 bilhão está vinculado a contratos de fornecimento de equipamentos e serviços, já firmados pela estatal com fornecedores chineses. Segundo a fonte, tratam-se de equipamentos e serviços já contratados.

Depois que o Brasil e a Petrobras perderam o grau de investimento — espécie de selo de qualidade aos investidores —, a estatal encontra condições de financiamento menos favoráveis no exterior e, por isso, procura diversificar suas fontes de crédito. Segundo a fonte, as condições e os juros dos empréstimos junto a bancos de fomento — que têm como contrapartida a compra de equipamentos e serviços chineses ou a venda de petróleo — são mais atraentes.

Levantamento feito por um executivo do setor naval indica que, das quatro plataformas previstas em estaleiros locais para o sistema de cessão onerosa, em campos do pré-sal, somente a P-74 tem seu casco em construção no Estaleiro Inhaúma, no Rio. Os módulos deverão ser construídos no Estaleiro EBR, no Rio Grande do Sul. Os cascos e módulos de outras três unidades, P-75-P-76 e P-77, estão em obras na Ásia.

O mesmo acontece com seis plataformas chamadas de replicantes, por seguirem o padrão previsto anteriormente. Da P-66 à P-71, destinadas ao Campo de Lula, no pré-sal, a construção dos módulos ocorre na China e na Tailândia.

Alberto Machado Neto, coordenador de MBAs de Gestão de Petróleo e Gás da Fundação Getulio Vargas (FGV), destaca que a Petrobras precisa elevar a produção de petróleo e cumprir os contratos de concessão ou partilha assinados com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), que está em consulta pública para rever as exigências.

— Os compromissos de compras de equipamentos e serviços na China não devem ultrapassar os 40%, em média, de conteúdo no exterior. A Petrobras tem que ter cuidado para não deixar de comprar no país, pois ainda tem muitas empresas capacitadas — disse Machado.

ESTATAL: OBJETIVO É MITIGAR ATRASOS

A Petrobras por sua vez informou apenas que vem adotando medidas, junto com as empresas contratadas, para manter a continuidade de seus projetos previstos no Plano de Negócios e Gestão de 2015 a 2019. A estatal explicou que quando é necessário, avalia a necessidade de execução no exterior de parte dos serviços das obras de plataformas “com o objetivo de mitigar atrasos.” A Petrobras destacou que “a construção das unidades encomendadas, bem como a gestão, engenharia e suprimentos do escopo do contrato permanecem com as empresas contratadas no Brasil.”




Comentários

13 comments

  1. Miesco Gdynski

    Apesar do regozijo desse blog em noticiar o “fim do Polo Naval de Rio Grande”, lamento dizer que não existe “fim” do Polo Naval.
    Estão em construção os cascos das plataformas P-69, P-70 e P-71, da cessão onerosa, que a medida que vão sendo concluídos, são enviados ao Rio de Janeiro ou para a China, onde são feitas a integração das mesmas.
    Na China a integração é feita por estaleiro em que a Petrobrás tem participação e cujos funcionários administrativos, engenharia e execução estão a cargo de brasileiros.
    Sugiro ao Caminhos do Sul disfarçar melhor quando notícias nem sempre favoráveis à zona sul e especialmente à Rio Grande surgem numa época tão conturbada como a que estamos vivendo.
    Para concluir, gostaria de informar que a utilização do Estaleiro Rio Grande, por possuir o terceiro maior dique seco do mundo, poderá ser a base para construir navios dos mais diversos, inclusive trasatlânticos.

    • Fabiane

      Mentira Miesco! A China só esta no meio porque a Dilma e Lula roubaram!
      Se ambos não tivessem roubado, o Polo Naval coninuaria em Rio Grande!

    • Felipe

      Para criar um blog é só clicar em “criar”, ter informações corretas para escrever já são outros 500…

      Ou se colocam as coisas bem explicadas… Fim do Polo Naval?
      Quem escreveu isso não sabe nem o que é o Polo naval.

  2. Paulo Gastal Neto
    Author

    Não há regozijo nenhum. A notícia é do jornal O Globo e foi comentada em almoço na Associação Comercial do RJ. A manchete ‘Fim do Polo Naval do RS’ foi frase dita várias vezes no referido local.

  3. Rafael

    Que seja, mesmo que o novo governo decida “terminar o polo naval”, que será lamentável, afinal isso é determinado pela Petrobrás, não é o fim do mundo. Rio Grande cresceu muito com o polo mas não é só polo naval. O porto cresce a cada ano e tem muitos investimentos não ligados ao polo naval que já chegaram, estão em fase de instalação e outros já confirmados. O distrito industrial recebeu a área da ZPE de 576 hectares, muitas indústrias se instalarão pois Rio Grande tem o único porto marítimo do estado. Alguns dos investimentos são, em construção: fábrica de palets da Tanac, Multiferitil (fertilizantes), Cisbra, Weg (torres de energia eólica e manutenção de aerogeradores), a fábrica de painéis solares, parques de energia eólica, Campo Belo parque aquático, hotéis da rede Viverone e Plaza, investimento bilionário da Yara Brasil, investimento bilionário com o terminal de regaseificação e Usina Termelétrica fora todos bairros e condomínios em construção que aquecem a mão de obra da construção civil. Mais os recém anunciados Vanzin de silos de armazéns e logística e a fábrica de flanders. São apenas alguns, Rio Grande continua sendo a cidade mais rica da metade sul e com maior PIB e a tendência é de crescimento constante.

  4. Luis A. Leme de Calais

    Tá na hora de Petrobras perder a hegemonia pois o slogan getuliano ” O PETRÓLEO É NOSSO” e outra mentira: a Petrobras hj é máfia e só mercado regulariza e a competição acirra qualidade e preço, sem mentiras! Igual “o melhor futebol do mundo” 7×1 que PT mostrou!

  5. Luis A. Leme de Calais

    Enterrem a HEGEMONIA da Petrobras na curva do rio! O petróleo nunca foi nosso, mas de gangue instalada nos seios da mm! Só mercado e competição trás verdade, preço e progresso!

  6. jorge martinez

    do adubo viemos para o adubo voltaremos da industria nava so ficou gente desempregada que veio de todas as partes do pais e nao voltaram para os locais de origem aumentando os bolçoes de miseria na cidade, investimentos sao anunciados oda vez eme que a politica interfere na inicativa privada anunciando investimentos que nao vem so com a intençao de arrumar votos nas eleiçoes, os que vieram tem tempo determinado a usina a gas e o terminal nao sairam do papel hoje estao a venda a fabrica de torres vai fazer as torres para a ceee que esta com o projeto atrasado em 2 anos , a engevix ta quebrada todos os orçamentos que sao colocados a terceiros nao ha interessados as empresas declinam das propostas pelo risco de fazerem o serviço e nunca receberem , ha uma conversa de negociaçao com shel mas de concreto ate agora nada, a grande esperança da cidade hoje e o investimento que a yara vai fazer na sua planta mas mesmo isso ainda vai levar tempo e rio grande volta para o adubo que com a chegada da industria naval deu as costas para quem sempre deu emprego e renda aos rio grandinos, rio grande infelismente toda aquela riqueza que a cidade vivia era falsa era resultdo de roubos na petrobras que tava na cara que uma hora iria terminar pois estavam sangrando a maior empresa do pais e isso nao duraria a vida toda

  7. Rafael

    Têm muitos investimentos em fase de instalação na cidade, inclusive tivemos recentemente a ampliação da Bianchini, ampliação da Termasa/Tergrasa, ampliação do Tecon, as recém inauguradas metalúrgicas da RVT e a nova fábrica de fertlizantes da Heringer. Muitas construções de bairros, condomínios e edifícios aquecendo o setor da construção civil. Se for pensar só em crise e que se dependa somente do polo naval ai sim a coisa piora. Não é momento de pessimismos ou de achar que não se encontra soluções para os problemas, pessoas, empresas, cidades não crescem com esse tipo de pensamento. Com relação ao terminal de regaseificação e usina termelétrica do Grupo Bolognese ainda faltam alguns ítens da licença ambiental, mas está garantido o projeto pois vendeu toda a energia em leilão e deve ser entregue a mesma até 2019. Empregos no polo naval ainda tem pelo menos mais uns 2 ou 3 anos, o que é suficiente para a instalação dos novos projetos, isso se não der uma reviravolta e mudar esse cenário todo e o polo seguir empregrando, nesse setor o futuro é incerto. Quanto a fábrica de torres de energia eólica sim, tem encomendas para 2 anos mas o prefeito foi a Jaraguá do Sul (SC) e conseguiu para que a empresa WEG fique instalada na cidade após essas encomendas pois será a empresa a prestar assistência têcnica de aerogerados de torres, e não são poucos os parques da região. Tem algo que Rio Grande tem e que nenhuma cidade do entorno ou do estado tem, que é um porto marítimo, essa é nossa maior riqueza. Um distrito industrial forte, com empresas de logística, madeira, metalúrgicas, alimentos, fertilizantes, terminal da Transpetro, refinaria de petróleo e com 576 hectares sendo licenciados pela Fepam para receber novas empresas. Outra boa notícia é o Oceantec (em construção) que é o parque tecnológico da Furg que cuidará da parte não só de construção naval mas tudo referido ao sistema costeiro e de logística. No comércio, os dois shoppings deram fôlego pois sempre tem abertura de novas lojas. É sabido que muitas empresas crescem justamente no momento de crise, pelas potencialidades e projetos Rio Grande que continua sendo mesmo com todos problemas a cidade que mais cresce na região tem boas perspectivas.

    • jorge martinez

      rafael eu nao sou um cara pessimista sou realista e tem coisas que nao posso ficar falando em qualquer lugar sei que tem muitos envestimentos na area da construçao civil os 2 shoppings , so quero te fazer umas correçoes a heringer nao fabrica fertilizantes so mistura e ensaca , a usina a gas esta a venda embora tenham um contrato de entrega de energia nao tem dinheiro para tocarem a obra , o canateiro de obras da weg vai muito devagar pois o projeto e que esta com 2 anos de atraso por dificuldade com as licenças ambientais e o governo mandando contra ele mesmo pois a ceee e uma estatal do rs , a ampliaçao do tecon so aumentou o cais com mais um berço e ate onde sei nao gerou muitas vagas novas , esta em fase de implantaçao a fabrica de palets da tanac nao sei quantas vagas vai gerar , com relaçao ao porto temos o unico porto maritimo do estado e sucateado ao extremo o cais que o estado administra so funciona por conta dos operadores particulares pois os equipamentos sao das empresas que ali atuam ali, a obra de revitalizaçao do cais vai se arrastando o que funciona e muito bem e o que esta mao da iniciativa privada , a nossa refinaria e obsoleta e hoje esta dentro da cidade para uma ampliaçao e modernizaçao da planta teria que sair de onde esta e feita uma nova planta , os shoppings acho que os riograndinos deveriam prestigiar mais o que e nosso , eu so fico com o pe atras e quando a politica interfere na iniciativa privada e anuncia os investimentos com se fossem eles que estao fazendo as coisas principalmente em epoca de eleiçao que ai começa pipocar investimetos que nao saem do papel

  8. Rafael

    Concordo com muitas coisas que tu diz Jorge, mesmo assim, não podemos “jogar a toalha”. Diante do cenário de crise no estado, país e mundo, fora todo o problema do setor de construção naval, ainda perto de outras cidades temos boas expectativas, pelo menos temos projetos, alguns em fase de licenciamento, têm cidades que estão a mingua, nem isso tem, nem para pagar sequer piso de salário aos professores. Tenho esperança sim de que todos juntos, cobrando dos governos podemos melhorar e fazer com que tudo que a cidade precisa aconteça para continuarmos crescendo. São quase 500 municípios no estado, e no PIB e IDESE estamos bem a frente da grande maioria. Se pelo menos parte dos projetos vingarem teremos melhorias ou pelo menos compensações na possível perda do polo naval. Outra coisa que não citamos são as integrações dos módulos das plataformas P75 e P77 pela QGI, mais um alento para a mão de obra da construção naval na cidade. Quanto a refinaria, mesmo sem poder se expandir continua refinando e fornecendo combustível para boa parte das cidades da metade sul. Com relação ao porto tanto faz se o cais público é obsoleto, ou se é a parte privada que funciona melhor, é tudo porto do Rio Grande, o complexo portuário com o porto velho, porto novo e super porto, é uma das maiores riquezas do estado tem. Mesmo devagar tem os investimentos em melhoria do cais público e estamos na espera de mais uma dragagem que vai fazer com que tenha um dos maiores calados do país. Concordo contigo com relação aos governos anunciarem projetos privados como se fossem seus ou que eles tivessem fazendo a “salvação da lavoura”, são espertos e se aproveitam muito disso principalmente em épocas de eleição, mas… infelizmente funciona assim, vamos tentar tirar proveito do que pudermos. Aguardar pra ver o que se desenrola. Tenho certeza que todos queremos o melhor pra cidade, pois ela crescendo e melhorando todos ganhamos, abraço.

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