No dia 25 de maio, foi celebrado o Dia da Indústria. A data tem como objetivo reforçar a importância de um setor que, em Pelotas — maior cidade do sul do Rio Grande do Sul e que responde por 10% do Produto Interno Bruto (PIB) local, conforme os dados consolidados do Centro das Indústrias de Pelotas (Cipel). Atualmente, o município abriga 8,2 mil indústrias. Esse montante representa aproximadamente 18% dos mais de 45 mil empreendimentos locais ativos e mantém sua sólida contribuição de cerca de 10% na composição do PIB municipal.
O presidente do Cipel, Vittorio Ardizzone, destaca que, embora a matriz industrial pelotense seja historicamente alicerçada nos segmentos alimentício, frigorífico, equipamentos médicos, metal-mecânico, de couro e calçados, têxtil, vestuário, gráfico e editorial, a cidade vive um momento de forte articulação para expandir suas fronteiras. O foco está em atrair novos investimentos em infraestrutura e inovação tecnológica para diversificar a economia regional e gerar empregos cada vez mais qualificados.
“Neste Dia da Indústria, celebramos a força de um setor que é o motor do desenvolvimento e da qualidade de vida na Zona Sul. Contudo, o momento ainda é de profunda união, resiliência e solidariedade na esteira da reconstrução do Rio Grande do Sul após os severos impactos climáticos. O foco da nossa gestão é canalizar esforços para reerguer e fortalecer cada pilar industrial afetado”, afirma Ardizzone.
No cenário macroeconômico, a indústria nacional mantém sua posição estratégica, representando 23,9% do PIB brasileiro. No plano local, a construção civil desponta isolada como uma das principais engrenagens do desenvolvimento urbano e econômico, movimentando anualmente R$ 995,6 milhões — o equivalente a 67% de todo o PIB industrial do município.
Construção civil lidera a geração de empregos e foca no futuro urbano
Em Pelotas, a construção civil permanece como o segmento industrial que mais gera postos de trabalho. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Grandes Estruturas (Sinduscon/Pelotas), Marcos Fontoura, as obras na cidade sustentaram uma média estável de 13 mil empregos diretos nos últimos dez anos. O efeito multiplicador do setor impressiona: para cada vaga direta criada nos canteiros de obras, estima-se a abertura de outras 5,2 vagas indiretas, movimentando uma extensa cadeia de renda.
“A construção civil de Pelotas projeta um ciclo promissor, atento também aos rumos dos programas habitacionais e aos investimentos em soluções sustentáveis e mitigatórias. A cidade se prepara para um desenvolvimento urbano robusto e planejado, onde o nosso setor segue como o grande protagonista do progresso econômico e social”, ressalta Fontoura.
Tradição e mercado global marcam a indústria conserveira
Com raízes históricas que remontam a 1880, a indústria de doces e conservas de Pelotas é sinônimo de tradição. Ao longo de quase um século e meio, a região se consolidou como a principal referência nacional na produção de pêssegos em calda.
De acordo com Paulo Crochemore, presidente do Sindicato das Indústrias de Doces e Conservas Alimentícias de Pelotas (Sindocopel), o perfil do setor mudou drasticamente: das mais de 50 indústrias que operavam até a década de 1980, restam hoje dez plantas ativas distribuídas no polo que abrange Pelotas, Capão do Leão e Morro Redondo.
Apesar do menor número de fábricas, a escala de produção e o impacto social continuam gigantescos. “Contamos atualmente com mais de mil famílias produtoras de pêssego integradas à cadeia. Estamos imersos em um trabalho contínuo de qualificação técnica, introdução de novas variedades da fruta e ganho de produtividade para responder à altura do mercado mundial, que hoje dita os parâmetros de competitividade da nossa compota”, explica Crochemore.
Mesmo diante de desafios climáticos e econômicos, as indústrias do polo local permanecem como as principais responsáveis por abastecer as gôndolas e suprir a demanda de pêssegos em conserva em todo o território nacional.

