
Lula com chefes de Estado e de Governo na ‘foto de família’ da Cúpula do Clima, em Belém (PA): ‘As decisões que tomarmos com relação ao setor energético definirão nosso sucesso ou nosso fracasso na batalha contra a mudança do clima’. Foto: Ricardo Stuckert / PR

O fim dos combustíveis fósseis só se transformará em um processo em curso, com o efetivo compromisso de todos e não somente de parcelas do mundo. Essa parte fundamental não entrou na COP-30, pois ela exige vontade política e cooperação global para superar a complexidade e os interesses enraizados na economia fóssil. Desde a adoção do Acordo de Paris, a participação dos combustíveis fósseis na matriz energética global caiu apenas de 83% para 80″, como disse o próprio presidente Lula.
E quais seriam os caminhos para essa tão decantatada transição?
– Energias Renováveis: Investimentos massivos em energia solar, eólica, hidrelétrica e outras fontes limpas são cruciais.
– Eficiência Energética: Melhorar a eficiência no consumo em todos os setores (transporte, indústria, residências).
– Biocombustíveis: Utilização de fontes de biomassa como alternativa aos combustíveis fósseis, com menor emissão de poluentes.
Ao final de tudo ainda ficará como referência em relação ao tema, a ‘velha’ “Declaração do Rio de Janeiro” que na verdade é o documento principal da conferência anterior, a Eco-92 (ou Rio-92), que estabeleceu 27 princípios fundamentais sobre meio ambiente e desenvolvimento.
Durante a Rio+20, o documento “O Futuro que Queremos” foi aprovado por mais de 190 países e teve como foco a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, abordando dois temas principais: Economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza e a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável. Nada ou pouco foi feito, por isso a hipocrisia de Belém. Embora o documento final da Rio+20 tenha sido criticado por alguns setores da sociedade civil como uma “declaração de intenções” frágil e sem metas concretas, ele serviu de base para a criação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), lançados em 2015.
Em resumo ficam discursos intermináveis e distantes da realidade do mundo em que vivemos. Sem não ter nada a ver com isso tudo, quem se beneficiou foi o coadjuvante vendedor de coxinha de galinha a R$ 45 reais. Esse vive no mundo real! Do outro lado, os engravatados protagonistas, com seus discursos distantes do homem da coxinha, voltarão para casa emitindo muitos metros³ de 2, além da queima de 3.600 litros de diesel por dia feita pelo iate do presidente e seu séquito. Tudo isso sem nenhum constrangimento.
*Radialista e editor do www.caminhosdazonasul.com.br