O NOVO SENADO E O DESAFIO DE CONSTRUIR UMA AGENDA PRÓPRIA

O novo Senado e o desafio de construir uma agenda própria

Por Marco Antônio Jacobsen*

O resultado das últimas eleições deixou uma mensagem que vai além da composição partidária do Congresso Nacional. O novo cenário político abre espaço para uma discussão importante: qual será o papel do Senado nos próximos anos?

A Casa Alta tem uma característica própria dentro do sistema político brasileiro e pode exercer um papel muito mais protagonista na construção da agenda nacional. Não deveria ser apenas uma etapa de análise de projetos aprovados pela Câmara, mas também um espaço para propor, debater e liderar pautas estratégicas para o país. Entre os temas que devem ganhar força está a relação entre Congresso, Executivo e setor produtivo. Questões como ambiente de negócios, segurança jurídica, responsabilidade fiscal, relações de trabalho, infraestrutura e competitividade terão impacto direto sobre empresas, trabalhadores e governos.

A discussão sobre o fim da escala 6×1 é um exemplo. Independentemente da posição de cada um sobre a proposta, uma mudança dessa magnitude exige debate amplo sobre produtividade, custos, geração de empregos e realidade dos diferentes setores da economia. É justamente nesse ponto que as Relações Governamentais assumem importância. Para empresas e entidades, acompanhar Brasília não pode significar apenas saber o resultado de uma votação. É preciso entender o projeto, antecipar seus impactos, acompanhar sua tramitação, dialogar com parlamentares e apresentar informações que contribuam para a construção de políticas públicas melhores.

Quem chega ao Congresso apenas no dia da votação, muitas vezes, já chegou tarde. Outro tema que deve permanecer no centro do debate é o equilíbrio entre os Poderes. A discussão sobre os limites de atuação do Judiciário e os mecanismos de controle previstos na Constituição precisa ser feita com responsabilidade e dentro das instituições. Uma democracia forte não significa ausência de conflitos entre os Poderes. Significa possuir mecanismos capazes de resolver esses conflitos dentro das regras democráticas.

O novo Senado terá, portanto, uma escolha importante: continuar reagindo às agendas construídas por outros atores ou assumir maior protagonismo na definição das prioridades nacionais. Para o setor produtivo, essa escolha é fundamental. As decisões tomadas em Brasília interferem diretamente no ambiente de negócios, nos investimentos, na geração de empregos e na capacidade de crescimento do país. Por isso, empresas e entidades precisam acompanhar o processo legislativo de forma permanente e profissional. Mais do que discutir quem ganhou ou perdeu a eleição, o desafio agora é entender o que o Congresso fará com a força política recebida das urnas.

A eleição termina. A agenda nacional, não. E é justamente nesse espaço entre a política, o setor produtivo e as instituições que as Relações Governamentais podem ajudar a construir pontes, antecipar cenários e transformar diálogo em resultados.

*Administrador, Historiador e Relações Governamentais.

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