
RS: O Gigante Adormecido que Precisa de Vontade Política para Despertar
Da editoria do Treze Horas
O Treze Horas, com a colaboração da Planfer, através de seu diretor fundador Cesar Hax, teve acesso aos números em relação a soja no Rio Grande do Sul. Para surpresa geral, nosso estado ocupa a amarga posição de último colocado no ranking de produção da oleaginosa. Enquanto o Brasil celebra um recorde histórico na produção de soja, atingindo a marca impressionante de 181,6 milhões de toneladas, o Rio Grande do Sul vive um paradoxo amargo. O estado projeta o retorno a uma safra considerada normal, na casa das 21 milhões de toneladas, mas os números escondem uma realidade preocupante: em termos de produtividade, o campo gaúcho amarga a lanterna do país.

A produtividade média do Rio Grande do Sul é hoje de apenas 48,7 sacas por hectare (sc/ha). Para se ter uma ideia do abismo, o Mato Grosso do Sul, que detém a segunda pior média, registra 60 sc/ha. No topo da pirâmide, a Bahia lidera com 70 sc/ha, enquanto a média nacional se estabelece em 62,8 sc/ha. Este desempenho aquém do potencial não é fruto de incapacidade técnica, mas sim de um histórico recente devastador. O produtor gaúcho enfrenta as sequelas de quatro estiagens severas seguidas de uma enchente avassaladora. O resultado é um setor descapitalizado, com baixo fôlego para investimentos em tecnologia e insumos que poderiam elevar esses índices.

O Agro é o Motor, mas Precisa de Combustível. Foto: Arquivo
A diferença entre o Rio Grande do Sul e o restante do Brasil não é apenas estatística; ela representa uma fortuna que deixa de circular na economia local. Um raciocínio rápido revela o tamanho do prejuízo:
O Cenário: Se o RS aumentasse sua produtividade em apenas 6 sacas por hectare — o que é apenas metade da distância que nos separa do penúltimo colocado.
O Cálculo: Multiplicando esse incremento pela área plantada de 6,7 milhões de hectares, o estado colheria 40 milhões de sacas a mais.
O Impacto: Com a saca cotada a R$ 120,00, teríamos uma injeção de R$ 4,8 bilhões circulando no comércio, na indústria e nos serviços gaúchos.
O Agro é o Motor, mas Precisa de Combustível. A importância do setor é inquestionável. Se no Brasil o agronegócio representa 30% do PIB, no Rio Grande do Sul essa dependência sobe para 40%. Ignorar os gargalos do setor ou falhar na busca por soluções é, na prática, condenar a economia do estado ao estancamento.

O caminho para a recuperação passa obrigatoriamente por:
Entendimento Real: Diagnosticar profundamente as causas da baixa produtividade atual.
Políticas Públicas: Criação de incentivos específicos para a modernização das lavouras.
Vontade Política: Viabilizar renegociações de dívidas e linhas de crédito que permitam ao produtor voltar a investir. “Simples assim”, como aponta o setor: buscar soluções para o agronegócio não é uma escolha setorial, é a única via para garantir o crescimento do próprio Rio Grande do Sul.
Dados coletados com a colaboração de Cesar Hax, sócio fundador da Planfer.