ESPECIAL DE DOMINGO: CONAB ANUNCIA COMPRA DE 110 MIL TONELADAS DE ARROZ E FEDERARROZ COBRA FISCALIZAÇÃO

Coletiva Arroz – Crédito Tamires de Moraes AgroEffective Divulgação

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou, nesta terça-feira (15), a abertura de uma rodada extra de Contratos de Opção de Venda (COV) para aquisição de até 110 mil toneladas de arroz da safra 2024/25 de produtores do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A iniciativa, que é fruto de uma demanda do setor ao presidente da estatal, Edegar Pretto, visa garantir remuneração mínima aos agricultores diante da queda nos preços de mercado e reforçar os estoques públicos de alimentos. O anúncio foi feito em coletiva de imprensa, em Porto Alegre, com a participação de Pretto e de representantes da indústria (Abiarroz) e dos produtores (Federarroz).

A medida do governo federal representa um investimento de R$ 150 milhões e é resultado de um processo de diálogo com o setor produtivo iniciado em junho. Segundo o presidente da Conab, Edegar Pretto, a ação reforça o compromisso da Companhia com o fortalecimento da agricultura e da produção de alimentos. “Este anúncio é fruto de um diálogo permanente com o setor do arroz, mas também de uma grande mobilização que fizemos junto ao governo federal para garantir orçamento e atender ao pleito dos produtores”, afirmou Pretto, que abriu as portas da Conab para receber o setor.

A estatal irá adquirir o arroz por um preço cerca de 15% acima do valor mínimo, fixado nesta safra em R$ 63,64 por saca no Rio Grande do Sul. Para os contratos com vencimento em agosto, o valor oferecido será de R$ 73 por saca, subindo para R$ 73,48 em setembro e chegando a R$ 73,95 em outubro. “Estamos ofertando um contrato de opção no valor de R$ 73 para o mês de agosto, muito acima da média de R$ 65,56 registrada no estado. Isso representa um apoio real ao produtor”, destaca o presidente da Conab.

Pretto acrescenta que a recomposição dos estoques públicos é uma das prioridades da atual gestão da Conab, após mais de uma década sem formação de reservas significativas. “Voltamos a fazer estoques de arroz depois de 11 anos. É uma decisão estratégica do governo federal, de pagar melhor ao produtor e, ao mesmo tempo, garantir segurança à população com preços justos nas prateleiras dos supermercados”, afirmou.

O Contrato de Opção de Venda (COV) é um mecanismo de segurança de preços que garante ao produtor rural ou à sua cooperativa o direito (mas não a obrigação) de vender seu produto ao governo, em uma data futura, por um preço previamente fixado. A adesão à rodada extra, anunciada nesta terça, será possível após a publicação de uma portaria interministerial, cuja expectativa é que saia na próxima semana, e a realização de leilão público.

O arroz adquirido poderá ser armazenado em estruturas próprias da Conab ou em armazéns privados locados, sempre próximos às regiões produtoras. “Quando o contrato for efetivado no final de agosto, a Conab já terá o recurso assegurado para fazer o pagamento. Estamos prontos para receber esse arroz nos nossos estoques, inclusive com parceria do setor privado”, finalizou Pretto.

No ano passado, o governo federal havia disponibilizado R$ 1 bilhão para compra de até 500 mil toneladas de arroz por meio de COV. No entanto, teve pouca adesão dos produtores gaúchos, sendo negociadas apenas 91 mil toneladas.

Federarroz cobra novos mercados e mais fiscalização após anúncio da compra de arroz pela Conab
Medida foi discutida com entidades do setor arrozeiro e visa reagir à queda de preços no mercado internoA Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou uma portaria ministerial para a compra de 110 mil toneladas de arroz, por meio de contrato de opção de venda para a atual safra. A medida foi divulgada após reunião do presidente da Conab, Edegar Pretto, com o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Nunes, e com a diretora-executiva da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), Andressa Silva.Pretto explicou que a iniciativa visa equilibrar os preços no mercado. “Nós colocamos agora para o mês de agosto R$ 73 a saca de 50 quilos. Para setembro, R$ 73,48 e, em outubro, R$ 73,91.” Além disso, o presidente ressaltou o diálogo com o setor no sentido de ampliação de mercado. A previsão da Conab é de uma safra superior a 12 milhões de toneladas em 2026.

O presidente da Federarroz, Denis Nunes, lembrou que os preços baixos do cereal nos meses de maio e junho exigiram uma reação do setor, e que uma das alternativas seria a adoção de COVs (contratos de opção de venda). “Nos sentimos sempre muito desconfortáveis quando temos que recorrer às ferramentas do governo para comercialização (Conab). Sentimos uma certa incapacidade de conseguir gerir as nossas fazendas diante dessas depressões de preços”, ponderou.

Nunes ressaltou que o setor tem atuado no sentido de conquistar novos mercados, devido à qualidade e à tecnologia da produção do arroz no Estado. “E temos, sim, trabalhado para conquistar mercados e consumidores, conscientizando os brasileiros da importância do arroz na alimentação”, reforçou.

O dirigente apontou, no entanto, alguns entraves na produção, que dificultam uma competição mais equilibrada dentro do Mercosul. “Nós necessitamos que o Ministério da Agricultura atue nas fiscalizações das embalagens quanto à tipificação do arroz. Estão ocorrendo alguns casos de fraude nas tipificações. Temos questões de tributação em níveis federal e estadual que precisam ser equacionadas”, pontuou. Nunes aconselhou os produtores a diminuírem a área de plantio de arroz, diante da atual conjuntura, e da necessidade de continuar mantendo as exportações do arroz em casca.

Já a diretora-executiva da Abiarroz, Andressa Silva, destacou que o setor tem manifestado preocupação com a sustentabilidade da cadeia produtiva do arroz. “E não interessa à indústria trabalhar com preços muito depreciados, e muito menos com essa oscilação de preços que nós observamos no setor. Essa instabilidade compromete a segurança do produtor em produzir, da indústria em comercializar, e também tem um impacto negativo no consumo do arroz”, ponderou.

Andressa exemplificou que, quando os preços estão muito elevados, o consumidor migra para alternativas de produtos. E, quando os preços estão muito baixos, o consumidor perde a referência de valor do arroz. “O Brasil é autossuficiente na produção do cereal, e isso é um fato a ser comemorado, porque não dependemos do mercado externo para abastecer a população. Isso faz com que seja necessário um comprometimento de todos os agentes da cadeia, inclusive do governo, para garantir a viabilidade da atividade, com vistas a manter a segurança alimentar da população brasileira”, concluiu. Nesse sentido, a diretora-executiva destacou a importância do diálogo permanente que tem ocorrido com os governos.

Texto: Artur Chagas/AgroEffective

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