ARTIGO – TRIBUTAR É FÁCIL. DIFÍCIL É GOVERNAR: O FRACASSO INSTITUCIONAL NO CORAÇÃO DO GOVERNO LULA 3

Tributar é fácil. Difícil é governar: o fracasso institucional de Gleisi Hoffmann no coração do Governo Lula 3

Por Marco Jacobsen*

O governo Lula 3 não cansa. Não cansa de criar impostos, de aumentar alíquotas, de buscar novas formas de arrancar dinheiro do cidadão. A novidade da vez é o IOF — aquele velho conhecido do brasileiro — que voltou com força total para perseguir quem ousa investir, viajar, ou simplesmente planejar o futuro. Em meio a um país sufocado pela carga tributária, o Planalto anuncia, sem vergonha ou cerimônia, mais um pacote de majorações.

Agora, a transferência de recursos para fundos de investimento no exterior, antes isenta, será tributada em 3,5%. Compras internacionais com cartão de crédito, débito ou pré-pago também sobem para 3,5%. A compra de moeda estrangeira salta de 1,1% para 3,5%. E como se não bastasse, aportes mensais acima de R$ 50 mil em previdência privada — sim, o cidadão que tenta garantir sua aposentadoria com esforço próprio — será penalizado com uma alíquota de 5%.

Medidas que nasceram sob a desculpa de “harmonização tributária” e “justiça fiscal” na verdade escancaram um governo que não sabe cortar gasto, conter privilégio ou organizar prioridades. É mais fácil tributar o cidadão do que enfrentar corporações inchadas e estruturas ineficientes.

Mas o problema não para por aí. Além de tributar mal, o governo comunica pior ainda. E aqui entra a figura de Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais — uma pasta que, em teoria, deveria funcionar como ponte entre o Executivo, o Congresso e os agentes políticos do país.

A prática, no entanto, mostra o oposto: ausência de articulação, improviso, isolamento. O governo anuncia medidas impopulares sem pavimentar minimamente o terreno político ou social. A base no Congresso vive em estado de alerta. O empresariado não é ouvido. Governadores e prefeitos assistem perplexos a uma sucessão de decisões tomadas no escuro, sem consulta ou diálogo.

Sob o comando de Gleisi, a Secretaria de Relações Institucionais virou um puxadinho partidário, mais preocupada em blindar o PT do que em costurar soluções para o país. Não há coordenação, não há narrativa, não há projeto de país — apenas um instinto tributário voraz e uma retórica antiquada, que mira fantasmas de um capitalismo imaginário, enquanto esmaga quem empreende, trabalha e investe.

O fracasso de Gleisi Hoffmann na articulação política é um reflexo direto do fracasso mais amplo de Lula 3: um governo que perdeu o timing, o tom e o rumo. E que, sem coragem de reformar o Estado, prefere taxar quem tenta construir um futuro fora das amarras do assistencialismo.

Governar é mais do que cobrar impostos. Governar é dar horizonte, estabilidade, confiança. E isso, infelizmente, falta em Brasília.

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