OS EFEITOS DA CRISE ARGENTINA PARA A ECONOMIA E O COMÉRCIO EXTERIOR

A reunião, realizada na terça-feira (19), foi conduzida pelo coordenador do Concex, Aderbal Fernandes Lima, ocorreu de forma híbrida. Foto: Fiergs.

O cenário da crise econômica argentina e as perspectivas para o Brasil e o Rio Grande do Sul foram debatidos durante a reunião do Conselho de Comércio Exterior (Concex) da FIERGS. O consultor econômico e analista internacional, Gustavo Segré, e o presidente da Câmara Empresarial Argentino-Brasileira do Rio Grande do Sul (Ceab-RS), Fábio Ciocca, fizeram uma análise sobre a situação atual do país vizinho, um dos principais parceiros comerciais brasileiros.

Segré não vê uma solução para os problemas da Argentina a curto prazo. Ele lembra que o país tem 4,5 milhões de pessoas trabalhando em diferentes esferas para o Estado, 20 milhões recebendo algum tipo de auxílio do governo e 5 milhões de “celetistas”, e que o presidente Alberto Fernández não reduz o gasto público. A expectativa, garante, é por reformas estruturais na próxima gestão.

Além disso, embora tenha uma das maiores reservas de gás do mundo, a Argentina não produz o suficiente e importa US$ 2 bilhões por mês do insumo para abastecer o mercado interno. Gustavo Segré afirmou ainda que, entre 2004 e 2022, enquanto o real desvalorizou mais de 100% em relação ao dólar, o peso argentino perdeu mais de 4.000%, e que a inflação anual deve fechar entre 60% e 64% em 2022 no país vizinho.

Já Fábio Ciocca informou que, apesar da crise argentina, nos seis primeiros meses de 2022 o crescimento do fluxo rodoviário na jurisdição da ponte de Uruguaiana, na fronteira com Paso de Los Libres, na Argentina, aumentou mais de 30% na comparação com o mesmo período de 2021. Em junho, a indústria do Rio Grande do Sul exportou US$ 132,8 milhões à Argentina, 60,9% a mais na comparação com o mesmo mês do ano passado.

O consultor Segré destacou também que a conjuntura mundial, com a inflação puxando para cima ainda como efeito da pandemia, a falta de insumos e produtos e a guerra entre Ucrânia e Rússia, que provoca crise no abastecimento de energia, são duros fatores a serem enfrentados atualmente. “O Brasil tem cumprido suas tarefas, com indicadores bons, um dos poucos países a diminuir a pressão tributária com superávit fiscal, geração de empregos satisfatória e abertura de novas empresas”, disse.

A reunião, realizada na terça-feira (19), foi conduzida pelo coordenador do Concex, Aderbal Fernandes Lima, ocorreu de forma híbrida.

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