ESPECIAL DE DOMINGO: PERSPECTIVAS PARA 2018

    Especialistas do governo federal, pesquisas de entidades nacionais e até mesmo instituições internacionais projetam que o Brasil terá um crescimento considerável em 2018, podendo chegar a um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3%. Feita a ressalva de que a base de comparação é baixa, trata-se de um número excelente, considerando o retrospecto do País nos últimos anos. Depois de um recuo da atividade econômica que começou ainda em 2014, mas que se materializou em fortes quedas do PIB em 2015 e 2016, o País deve crescer em torno de 1% neste ano, saindo finalmente da recessão.

    A confirmação das projeções para o próximo ano seria uma notícia a ser comemorada, representando, de fato, uma retomada da economia brasileira. Os protagonistas dos principais setores produtivos do Rio Grande do Sul ouvidos neste panorama apresentado pelo caderno Perspectivas 2018 confirmam a boa expectativa para o próximo ano, embora demonstrem cautela. A exceção é o agronegócio, que obteve um resultado excepcional neste ano e não deve repeti-lo na próxima safra, embora os números projetados ainda sejam bem positivos. Mas não é uma eventual redução da produção da locomotiva da economia gaúcha que preocupa.

    A grande dúvida que paira em relação ao próximo ano é sobre as eleições gerais, especialmente no cenário nacional, em que será eleito o novo presidente da República e renovado o Congresso Nacional. Embora a disputa ao Planalto atraia todos os holofotes, o Legislativo não pode ser relegado a um segundo plano pelo eleitor, pois é ali que se decidem projetos importantes.

    Só para ficar em questões de fundo, foi no Parlamento que se decidiu a reforma trabalhista e é lá que pode ser votada, em fevereiro, a reforma da Previdência. Um novo governo, com um mínimo respaldo de um Congresso melhor qualificado, será fator decisivo para que o País possa deslanchar. A questão toda é a estabilidade e a continuidade do crescimento em 2019, se, de fato, obtivermos êxito em 2018.

    Uma eleição em que sejam respeitadas as regras do jogo democrático dará legitimidade ao novo governo que vai se formar após o resultado da votação, o que permitirá uma agenda para um novo ciclo no País. Isso, aliado à estabilidade, ampliará a confiança, fator decisivo para que a população consuma, o comércio venda e a indústria produza. Nessa cadeia, com o aumento gradual da demanda, viriam os investimentos na ampliação da capacidade produtiva, gerando novos empregos, permitindo um salto para a economia do País.

    E, estimulado por esse contexto, o investidor internacional teria mais motivos para apostar no Brasil. O ano que está terminado foi de travessia, após grandes dificuldades. Saímos da recessão e temos outros indicadores importantes para a preparação de uma expansão da atividade econômica. Os juros estão no menor patamar da série histórica, com a taxa Selic em 7%. A inflação medida pelo IPCA deve fechar 2017 abaixo dos 3%.

    Falta ainda a criação de empregos, a maior parte das vagas geradas neste ano está na informalidade. Mas o trabalho de carteira assinada é apontado por vários especialistas como a última parte desse cronograma de saída da crise. Essa é a conjuntura atual e a expectativa para 2018. Muita coisa pode mudar no meio do caminho. Mas, pelo menos neste ano, o cenário não é mais pessimista. E não é otimismo desejar um Feliz 2018!

     




    Comentários