CMPC PLANEJA NOVA UNIDADE DE CELULOSE NO RS

    Dr. Wálter Lídio Nunes, presidente da CMPC Celulose Riograndense, Paulo Gastal Neto, Caminhos da Zona Sul, Clayton Rocha, Treze Horas da Rádio da Universidade Católica de Pelotas, Dr. Hernán Rodriguez Wílson, Diretor Presidente do Grupo CMPC e Francisco Ruiz Tagle, Diretor Florestal e de Celulose. Foto de Nauro Júnior

    PAULO GASTAL NETO e CLAYTON ROCHA – DE PORTO ALEGRE

    O Caminhos da Zona Sul e o programa Treze Horas, da Rádio Universidade, estiveram em Porto Alegre nesta segunda-feira, 18 para acompanhar a manifestação do diretor-presidente da CMPC, que controla a unidade de celulose em Guaíba, Hernán Rodríguez Wilson. Na apresentação a cerca de 50 jornalistas o CEO da empresa chilena fez uma breve apresentação sobre a história da companhia e os oito anos da aquisição da planta do Rio Grande do Sul junto a Fibria em 2009.

    A principal informação repassada aos presentes foi em relação a expansão do grupo e o aumento dos investimentos, criando inclusive a possibilidade da implantação de uma nova unidade no Rio Grande do Sul, mais precisamente no sul do estado. O CEO deixou claro que o grupo tem limitações de áreas e até perfil de plantas já instaladas para crescer no Chile. Também descartou aportes no Uruguai ou na Argentina.

    Hernán Wilson confirmou em entrevista ao Treze Horas da R.U. e ao Caminhos da Zona Sul que os planos de crescimento passam por mudanças na legislação brasileira que envolve a venda terras para estrangeiros. Um parecer de 2010 da Advocacia-Geral da União (AGU) veta a compra de áreas por estrangeiros, o que teria paralisado decisões de mais de R$ 60 bilhões em aportes nos anos recentes de diversas nacionalidades.

    Hernán afirmou na entrevista que o interesse é no Rio Grande do Sul, mais precisamente na Zona Sul do estado, e que este é um problema que também aflige outros grupos internacionais que gostariam de investir no Brasil. Para instalar um novo empreendimento, a empresa precisa da base florestal, sentada em eucaliptos. A produção de processamento seria de mais de 1 milhão de toneladas de celulose ao ano, em um novo projeto.

    O presidente da CMPC observou que qualquer decisão do grupo de capital aberto, mesmo com eventual acordo que mude a regra de aquisição das áreas no Brasil, não sairá antes de 2021. Projetos como estes levam sete a nove anos, que é o período de crescimento e maturação das florestas. Ou seja, são investimentos para começar a produzir em 2028. A companhia não tem acompanhado tratativas no governo federal, garantiu o CEO, nem sabe se elas estão ocorrendo.

    Hernán Wilson observou que as unidades brasileiras, que incluem a de Guaíba, outras em diversas regiões e pertencentes a outros grupos de celulose, estão entre as mais eficientes no mundo. O fator de crescimento da base de eucalipto é o que mais pesa, e ainda a produtividade, que pode resultar em preços mais atrativos para ganhar mercado. Em regiões da Europa, onde estão os complexos mais antigos, a base leva mais de 40 anos para completar o ciclo de colheita. Um projeto adequado, para ser competitivo, deve ter garantidos ao menos 170 mil hectares de florestas de eucalipto plantada, citou o diretor-presidente da CMPC. Considerando que há sempre um percentual de reserva ambiental, o ativo em terras teria de ser superior a 200 mil hectares.




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